Acervo/AE
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Há 25 anos, jacaré ‘Teimoso’ parava a Marginal Tietê

O animal foi visto entre as vilas Maria e Guilherme e demorou dois meses para ser resgatado

O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2015 | 18h15

No dia 14 de agosto de 1990 uma movimentação estranha chamou a atenção dos moradores da zona norte. Eles avistaram o que seria um jacaré-de-papo-amarelo entre as pontes da Vila Maria e da Vila Guilherme. Os bombeiros foram chamados e atestaram a presença do bicho na margem esquerda do Rio Tietê. Só que não conseguiram capturá-lo. Começava aí a epopeia de Teimoso, apelido dado ao bicho de um metro de comprimento e que parou o trânsito da principal via da capital.

Os bombeiros fizeram muitas tentativas de resgate, mas a maioria fracassou. Eles se desculpavam dizendo que não estavam acostumados com tal serviço, mas o episódio chegou a constranger a equipe.

Uma semana depois do início do caso, na terceira investida, os bombeiros chegaram a cercar Teimoso. Acuado na margem direita do Tietê por dois oficiais que estavam em um barco, um time de bombeiros em terra e uma rede de quarenta metros, ele parecia não ter para onde ir. Foi então que um helicóptero de prefixo PT-CPH assustou o animal, que teria fugido por baixo da rede.

Polícia Florestal x Bombeiros.  O caso demorou dois meses para ser resolvido. Só em 23 de outubro de 1990, numa operação montada pela Polícia Florestal, a Guarda Metropolitana e o Corpo de Bombeiros, foi que um bicho acabou capturado no Rio Pinheiros. Na hora, não se sabia ao certo se era Teimoso ou não. Junto com ele, outros sete jacarés foram pegos e levados ao Parque Ecológico do Tietê. Mas seu tamanho, coloração e formato deixaram poucas dúvidas. Na ocasião, o cabo da Polícia Florestal, Mário Leme, alfinetou as demais corporações que ajudavam nas buscas e sintetizou a disputa entre elas na seguinte frase: “O jacaré foi pego com a nossa rede”.

Até hoje não se sabe como o animal foi parar lá. A versão mais provável é a de que ele era criado em cativeiro e seu dono, com medo de ser multado pela Polícia Federal, jogou-o no rio.

Poluição. O episódio mexeu mais uma vez com a questão da poluição do Tietê. Teimoso "vivia" em um trecho do rio em que a taxa de oxigênio era de menos de um miligrama por litro de água. O Estadão noticiou que na “região da Vila Maria o rio é pastoso e enegrecido (...) Além disso, é reduzida a oferta de alimento”.  Apesar disso, o animal sobreviveu às condições adversas por meses, o que mostra que talvez tenha feito jus ao apelido muito antes de dificultar a tarefa do resgate. A situação não poderia ser mais paradoxal: a missão era resgatar um jacaré de dentro de um rio, para salvá-lo. Até mesmo o pessoal envolvido nas operações não tinha certeza se a manobra era ou não necessária...


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