Há 20 anos, distritos deram a SP a cara de hoje

Coube a quatro pessoas a missão da divisão, essencial para a administração e a identidade de cada região

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2011 | 23h00

Imagine uma São Paulo em que secretarias e subprefeituras têm sua própria divisão e organização da cidade. Administrações regionais que não sabem ao certo o número de habitantes sob sua responsabilidade e seguem limites aleatórios, sem levar em conta centros comerciais, núcleos urbanos e quarteirões. Há 20 anos a capital paulista era assim. Até 1990, eram apenas nove distritos e o principal deles abrangia quase todo o centro expandido e se subdividia em 48 subdistritos.

 

Foi só a partir de janeiro de 1991, com a lei da nova divisão distrital no governo de Luiza Erundina, que São Paulo ganhou a configuração do mapa ao lado: 96 distritos, com área, população e importância social quase equânimes.

 

Coube a quatro pessoas a missão de desenhar as novas veias da cidade. Um trabalho que, além de decisivo para a administração, foi essencial para garantir a identidade de cada região da cidade.

 

"Antes, havia o conceito de centro e periferia. E a periferia era uma massa uniforme de Perus a Parelheiros, passando pelo Itaim Paulista", conta Aldaíza Sposati, então secretária das Administrações Regionais (atuais subprefeituras) e hoje professora da PUC.

 

"A divisão deveria ir além de um desenho. Precisava ter sentido para a população", lembra o geógrafo José Donizete Cazzolato, que participou do trabalho. Foi nesse desenho que lugares como Cidade Tiradentes, na zona leste, ganharam identidade. Até então, a região pertencia ao distrito de Guaianases.

 

Casos similares aconteceram em outras regiões, com o surgimento do distrito de Anhanguera, na zona oeste, por exemplo, e de Jardim Angela, na sul. Já outros sumiram - como o antigo distrito de Vila Madalena, integrado a Pinheiros.

 

A pressão de moradores surtiu efeitos. Moema era para se chamar Ibirapuera no plano do grupo, que incluía ainda a geógrafa Josefina De Leo Ballanotti e a socióloga Márcia Bernardes Marques. Mas a associação de bairro pressionou e o nome do bairro prevaleceu.

 

Hoje, não por acaso, praticamente todas as políticas públicas, de saúde e assistência social à educação, são construídas sobre a régua dos distritos. Com uma curiosidade: São Paulo foi primeira cidade do Brasil a ter dados censitários distritais, já em 1991.

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