Há 16 milhões de armas no Brasil. 47,6% delas são ilegais

Maior descontrole sobre arsenais clandestinos ocorre em Amapá, Amazonas, Paraíba,Rondônia e Sergipe

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2010 | 00h00

Existem hoje cerca de 16 milhões de armas em circulação no Brasil, das quais 47,6% estão na ilegalidade, o que dá 7,6 milhões de unidades em poder de bandidos e de civis desavisados. Com 34,3 mil homicídios ao ano, o País é o campeão mundial de mortes por armas de fogo, em números absolutos.

Os dados fazem parte de um levantamento nacional, divulgado ontem pelo Ministério da Justiça, como ponto de partida para a retomada da campanha nacional pelo desarmamento, que passa a ser permanente. "A posse de armas não socorre o cidadão, só causa mais violência e crime", afirmou o ministro Luiz Paulo Barreto. Nas duas primeiras versões da campanha (2004 e 2008) foram recolhidas 500 mil armas e regularizadas 1.5 milhão. "O controle não resolve, mas é parte essencial para reduzir a violência letal", explicou.

Por conta das campanhas de desarmamento, a média anual de mortos por armas de fogo no Brasil caiu 8% entre 2004 e 2010, mas continua a maior do mundo. Por grupo de cem mil habitantes, os maiores índices de mortalidade, medidos até setembro de 2010, ficaram com Rio (44,1), Pernambuco (43,8), Espírito Santo (36,7), Alagoas (27,7) e Distrito Federal (26,5). Os menores índices ficaram com Piauí (5,1), Maranhão (6,3), Santa Catarina (7,3), Tocantins (9,4) e Amazonas (9,6).

Entre 1996 e 2008, os Estados que apresentaram maior variação nas taxas de mortalidade por arma de fogo foram Pará (317), Maranhão (186), Paraíba (160), Alagoas (157) e Ceará (154). Na outra ponta, as maiores quedas na variação ficaram com Amapá (-57,9), Acre (-53,7), Roraima (-45,6), São Paulo (-37,6) e Mato Grosso do Sul (-36,8).

Produzido pela ONG Viva Rio, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o estudo vai subsidiar a intervenção do governo nos locais onde há maior descontrole de armas. A pior situação, conforme ranking da ONG, é a dos Estados de Rondônia, Sergipe, Amapá, Amazonas e Paraíba. Os mais bem avaliados foram São Paulo, Distrito Federal, Rio, Espírito Santo e Piauí.

Fabricação. Conforme o estudo, de cada dez armas apreendidas no Brasil, oito são fabricadas no País. Entre as armas de origem estrangeiras, 59,2% são oriundas dos Estados Unidos.

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