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Há 100 anos: País ganha a sua Biblioteca Nacional

O edifício da Biblioteca Nacional, no Rio, foi inaugurado em 29 de outubro de 1910, no governo de Nilo Peçanha. O Estado publicou foto do novo edifício da "Bibliotheca Nacional", com a legenda: "O palácio da bibliotheca, projectado pelo general Souza Aguiar, mede 110 metros e 45 de altura. Tem capacidade para 2.000.000 de livros e custou cerca de 7.000:000$000 de réis".

Rose Saconi, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

Tudo começou quando, em novembro de 1807, o príncipe regente d. João, a rainha e toda a família real deixaram Lisboa com destino ao Brasil. Junto com sua bagagem, d. João trouxe a Real Biblioteca, com cerca de 60 mil peças, juntamente com a livraria, chamada "Infantado", cujos impressos foram incorporados ao acervo, instalados inicialmente nas proximidades do Paço Imperial. A Real Biblioteca foi inaugurada no ano de 1810, porém só foi aberta ao público quatro anos depois.

Em 1821, com o retorno da família real à Europa, a Real Biblioteca passou a ser propriedade do Império do Brasil. Em 1822, o governo imperial determinou que fosse entregue à Biblioteca Imperial e Pública da Corte um exemplar de todas as obras, folhas periódicas e volantes que se imprimissem na Tipografia Nacional.

A pedra fundamental do edifício foi lançada em 1905. O prédio foi projetado pelo general Francisco Marcelino de Souza Aguiar e construído conforme as exigências técnicas: armações e estantes de aço com capacidade para 400 mil volumes, amplos salões, pisos de vidro nos armazéns e tubos pneumáticos para o transporte de livros.

Acervo. As obras raras da Biblioteca Nacional são quase todas do acervo da Real Biblioteca, trazida de Portugal por d. João VI. É daquele tempo o mais antigo manuscrito que a biblioteca possui, o Evangeliário, do século 11, um exemplar em pergaminho com os quatro evangelhos escritos em grego.

Outro manuscrito valioso é a partitura original da ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Há também atos dos governadores, capitães gerais e vice-reis brasileiros dos séculos 17 e 18.

A coleção chegou ao Brasil com preciosidades como uma edição original de Os Lusíadas, de Luís de Camões.

Entre as obras impressas, a mais antiga e mais rara é a Bíblia de Mogúncia. A biblioteca tem dois exemplares do livro, um deles com data de 14 de agosto de 1462. Está lá também o único exemplar do mundo da Grammatica da Língua Portuguesa com os Mandamentos da Santa Madre Igreja, de 1539, o primeiro livro impresso a ter ilustrações de caráter didático.

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