Há 10 anos, a revolta das garrafadas

O Pato Fu já havia suado um bocado na abertura do segundo dia do Rock in Rio 2001. Escalados para tocar no mesmo dia do aguardado Guns n' Roses, Fernanda Takai e John Ulhoa deram mais peso ao repertório para driblar a hostilidade iminente. O guitarrista chegou a recorrer a um riff de Enter Sandman, do Metallica, para não perder o controle da situação.

ROSE SACONI, EDMUNDO LEITE, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h04

Foi nesse clima que Carlinhos Brown subiu ao palco para o seu show. Não precisou de muito tempo para perceber que a coisa não seria fácil. Paramentado com um cocar indígena e acompanhado de 14 percussionistas da banda Hip Hop Roots, na execução de Omelete Man, Brown terminou a música pedindo, sem sucesso, para que algumas pessoas parassem de jogar garrafinhas e copos descartáveis.

O artista baiano não se intimidou e desceu para cantar o hit A Namorada no corredor no meio do público. Vaiado e alvo de vários objetos, passou a provocar: "Eles querem rock. Vamos fazer uma improvisação aqui", bradou antes de começar a cantar o Hino Nacional.

De volta ao palco, mandou a banda parar os acordes e emendou: "Pode jogar o que você quiser que eu sou da paz e nada me atinge". Não funcionou. E Brown continuou: "Vocês que gostam de rock têm muito o que aprender na vida".

Era a intolerância dando as caras mais uma vez no festival, como acontecera com o veterano Erasmo Carlos em 1985. Na segunda edição, em 1991, o alvo foi o Hanoi Hanoi. Substituindo o Barão Vermelho na última hora, a banda tocou 45 minutos sob vaias.

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