Guindaste cai e mata 2 operários em obra do Metrô

Futura estação fica na frente do Shopping Ibirapuera; sindicância vai investigar por que peça que ajudava em escavação quebrou

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h03

Um guindaste usado nas obras da futura Estação Eucaliptos, da Linha 5-Lilás do Metrô, quebrou ontem por volta das 12h30 e caiu sobre dois operários, que morreram no local. A estação fica na frente do Shopping Ibirapuera, na zona sul. O Metrô informou ter aberto uma sindicância para apurar o caso.

É o acidente mais grave da companhia desde a tragédia da cratera, que matou sete pessoas nas obras da Linha 4-Amarela na Estação Pinheiros, em 2007.

O guindaste ontem auxiliava na escavação de buracos onde será feita a parede de contenção do túnel, que terá 25 metros de profundidade. Não se sabe o que o fez quebrar. A peça caiu em "L", entortada para o lado da obra. "Se ele não tivesse caído dessa forma, teria saído da obra, caído na Avenida Ibirapuera e a tragédia seria maior", disse o coordenador da Defesa Civil municipal, Jair Paca de Lima. O guindaste, modelo Lima, tem 20 metros de altura. Em sua extremidade, há uma pá usada para retirar terra.

Os serventes José Exerei Olivera Silva, de 39 anos, e Antônio José Alves Ribeiro, de 31, estavam em um grupo de 20 pessoas. Eles trabalhavam debaixo do equipamento no momento do acidente e foram esmagados pela estrutura metálica. Não houve feridos entre os outros operários. Um helicóptero da Polícia Militar chegou a ser acionado e pousou no estacionamento de um supermercado vizinho à obra, mas não deu tempo de salvar os operários, que já estavam mortos quando o socorro chegou.

O delegado Armando Roberto Bellio, do 27.º Distrito Policial (Campo Belo), abriu inquérito de homicídio culposo. Ele liberou a continuidade da construção, mantendo interditada apenas a área do acidente, e pretende ouvir o operador do guindaste, o Metrô e as empresas do consórcio Heleno Fonseca/ Triunfo-Iesa, contratado para a construção daquele lote, até concluir o inquérito, com prazo de 30 dias. Ele já sabe que o guindaste era de outra empresa, contratada pelo consórcio, cujos representantes também serão ouvidos.

Sem atraso. O diretor de Engenharia e Construções do Metrô, Walter Castro, diz que não há prazos para a conclusão da sindicância aberta para apurar o caso e não detalhou quais são as punições previstas para o consórcio. Ele disse ainda que a estação continua com a entrega prevista para o segundo semestre de 2015.

"Toda obra civil de grande porte tem um risco. Esses riscos são controlados por normas técnicas. Podem ocorrer (acidentes)? Sim. Mas tomamos sempre o máximo de ações possíveis de identificação para evitá-los. Só não agimos em relação ao que não podemos identificar", afirmou. Ele disse ainda que o Metrô mantém seguro para indenizar as famílias dos operários.

O consórcio responsável pela obra está encarregado de construir o Lote 5 das obras da Linha 5-Lilás, que inclui também a Estação Moema. O Ministério Público Estadual ainda investiga fraude na licitação que definiu a escolha das empresas de cada lote.

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