Genilson Araújo/Agência O Globo
Genilson Araújo/Agência O Globo

Guerra aterroriza Rio, mata 18 pessoas em um dia e chama a atenção do mundo

RIO

Márcia Vieira, Pedro Dantas, Gabriela Moreira, Marcelo Auler e Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

Foi o pior dia desde que a onda de arrastões e violência atingiu o Rio, no domingo. Dezoito pessoas morreram ontem, incluindo uma estudante de 14 anos, no quarto dia de confrontos entre polícia e criminosos nas ruas e nos morros do Rio. Ao todo, já são 26 mortos, 41 presos e dezenas de feridos - números que chamaram a atenção da imprensa internacional por causa da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Apesar das ações do governo para conter a onda de violência, incluindo transferência de oito presos para Catanduvas (PR) e operações em 27 favelas por tempo indeterminado, os ataques a veículos e os confrontos prosseguiram até a noite. Quarenta e sete escolas e dez creches, que atendem 17. 772 alunos, não puderam funcionar ontem. A Universidade Gama Filho, na Piedade, zona norte, encerrou as aulas mais cedo.

Pela manhã, quatro pessoas ficaram feridas quando foram impedidas de descer de uma van, em Santa Cruz, que foi incendiada por bandidos. À tarde, estudantes foram baleadas pelas costas, no confronto entre criminosos e traficantes. Durante todo o dia, boatos de arrastões e mais ataques assustaram os cariocas. Em um ônibus incendiado em Vicente de Carvalho, na zona norte, foi encontrado o seguinte bilhete: "Com UPP, não há Olimpíada."

No fim da tarde e à noite, pelo menos outros oito veículos foram incendiados por bandidos. Por volta das 17h, um ônibus e um caminhão foram queimados em Bonsucesso, zona norte do Rio. Pouco depois, um ônibus foi atacado em Anchieta e também pegou fogo. No início da noite, um carro foi incendiado por bandidos no Largo da Segunda-Feira (Tijuca).

Segundo informações do setor de inteligência da Secretaria de Segurança, a ordem para espalhar o terror teria partido de Marcinho VP, preso em Catanduvas (PR). O responsável pelas ações seria Fabiano Atanásio, o FB, da Vila Cruzeiro. O governo acredita que os ataques sejam uma reação às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que retomaram regiões dominadas por traficantes, e representariam a primeira ação conjunta das facções Comando Vermelho e Amigos dos Amigos (ADA).

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) prometeu não desistir de UPPs. "São manifestações desesperadas (dos criminosos)."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.