FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Guarujá (ainda) esconde praias para quem busca tranquilidade no litoral

Depois de enfrentar a estrada, para chegar até elas é preciso deixar o carro em um estacionamento e pegar uma balsa ou uma trilha. Mas o viajante é recompensado

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2019 | 05h00

GUARUJÁ - Passar sufoco na praia é um esporte difundido entre os paulistas. Praticado durante a temporada de final de ano, consiste em enfrentar horas exaustivas de estrada para depois, enfim, disputar um centímetro de areia com milhares de ambulantes, praticantes de frescobol, famílias barulhentas, latinhas de cerveja e toda sorte de extroversão, desconforto e calor humano que apenas o verão pode proporcionar. Mas não precisa ser sempre assim...

Pertinho da gente, aqui no litoral sul, na ponta do Guarujá, coladinho em Bertioga, existe uma praia onde você realmente pode ir para descansar. Chamá-la de secreta é otimismo demais, mas ela, de fato, se mantém relativamente livre da “muvuca”, limpa e perfeita para quem pretende "recarregar as energias”.

Assim é a Praia Branca e suas extensões – as praias Preta e do Camburizinho. Você pode chegar por ela via Guarujá. Na cidade, você segue em direção às praias de Pernambuco e Perequê – no sentido de quem está indo para Bertioga. Esse caminho vai terminar na região da balsa (que liga Guarujá à Bertioga). Daí, basta deixar o carro em um dos estacionamentos – que neste período custam R$ 30 (e ficam abertos até as 19 horas). Depois, existem duas opções: pegar uma trilha ou um barco. Ou seja, não se chega diretamente de carro. 

Por uma questão de trânsito, a reportagem do Estado achou mais fácil fazer o caminho via Bertioga. Chegando na cidade, pegamos a balsa. Nos dias de semana, ela custa R$ 6,15; já nos finais de semana, R$ 9,20. A travessia demora um pouco mais de cinco minutos. Do outro lado, deixamos o carro em um estacionamento.

A trilha que leva à Praia Branca é tranquila. Em ritmo normal, o trajeto leva em média 30 minutos. Existem trechos mais inclinados pelo caminho, mas nada muito difícil de percorrer. A dica é não fazer esse percurso de chinelo (as pedrinhas podem machucar). Em algumas partes, você vai encontrar até uma espécie de corrimão feito de bambu (o que ajuda quem tem um pouco mais de dificuldade). Ao longo do percurso estão algumas pousadas e até alguns restaurantes. 

Claro, mesmo sendo tranquila, a trilha não é para todo mundo. Você pode optar por chegar de barco. A viagem dura, em média, dez minutos (a partir do estacionamentos). Nesta época, o barco sai por R$ 25 por pessoa. São embarcações simples e que, apesar dos coletes salva-vidas, dá um pouco de medo. 

A Praia

A Praia Branca lembra praias do litoral norte. A faixa de areia é mais curta. Existem poucas barracas de comida, cerveja e pastel. Você não vai ouvir música alta ou aquelas caixas de som (que estão em alta há pelos menos uns três anos nas praias mais movimentadas). O som, quando vem, não é estridente. Às vezes, você vai ouvir um reggae; outras, um forró. 

Ariovaldo Pires de Camargo, de 57 anos, saiu com a família da zona leste de São Paulo para descansar na Praia Branca. “É uma praia muito diferente. Não tem aperto, não é barulhenta, o mar parece limpo. Este é um lugar para descansar de verdade”, disse. “Além de a praia ser um pouco isolada, as paisagens são lindas”, completou a filha, Bruna Aldrey de Paula Camargo.

A Praia Branca não é lotada de gringos, mas é certo que você vai encontrar pelo menos um dando um mergulho por lá. Na semana em que a reportagem esteve na praia, o chileno Jaime Olive, de 29 anos, deixou peças de roupa e mochila na areia enquanto foi dar o seu mergulho – que demorou mais de 20 minutos. Quando Olive voltou para a areia, pasmem, tudo estava no mesmo lugar. “A praia é linda. E achei bastante segura.”

A presença de policiais não é ostensiva, mas existe uma base da PM por lá. Quem for no esquema “bate e volta” pode almoçar na Praia Branca. Pratos feitos com peixe não custam mais de R$ 30. Os pastéis são gigantes – podem ser divididos por duas pessoas – e saem a partir de R$ 10. Como de praxe, é mais caro beber. Cervejas long neck custam de R$ 8 a R$ 10. Já quem quiser passar alguns dias, pode optar por ficar em uma pousada (R$ 150 a diária, em alta temporada). Os locais prezam pela simplicidade. Ainda é possível acampar na praia (o camping sai de R$ 30 a R$40 a diária). “Sempre quis acampar. A estrutura daqui é muito boa. Passei noites muito tranquilas”, contou Gustavo Claudino, de 21 anos. Existem também opções de locação via Airbnb.

Praia Preta

Quem achar a Praia Branca “popular demais” pode caminhar mais 15 minutos pela trilha e chegar à Praia Preta (uma continuação da mesma praia, mas com menos de estrutura). Se a Praia Preta também for considerada “pop”, caminhe por uns 45 minutos (a partir da Praia Branca) e você vai chegar em um pedaço de areia ainda menor: a praia do Camburizinho.

As trilhas para as praias Preta e Camburizinho são menos amigáveis do que aquela feita para se chegar à Praia Branca. Ter a Praia Branca como base parece ser a opção mais inteligente na região – principalmente se você está com crianças ou se preza por uma infraestrutura melhor.

Ainda assim, um passeio pela Praia Preta é compensador – principalmente para quem gosta de mar calmo. “ Quando venho para cá (Praia Branca) sempre dou uma passada para o outro lado (Praia Preta). Gosto da caminhada e da paz. São praias irmãs. Mesma ‘vibe’”, disse Rogério Probatto, 36, que saiu de Osasco para se “reenergizar” nesse fim de ano. Quem quiser pernoitar na Praia Preta encontra opções de camping pelos mesmos valores da Praia Branca.

Importante: a Praia Branca pode ser quase secreta, mas não existe praia vazia na noite de réveillon. Segundo moradores, comerciantes e frequentadores, ela também estará cheia (muito cheia) na noite da virada. Portanto, se você busca tranquilidade, tente conhecê-la a partir do dia 2 de janeiro.

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