Guardar fortuna vira dor de cabeça

Roubo no Itaú levanta a questão da segurança

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2011 | 00h00

O roubo das joias no Itaú levou proprietários de peças de valor a se perguntar onde é seguro guardá-las. O roubo foi no final de agosto, mas a polícia começou a investigação com nove dias de atraso. "Essa é uma boa pergunta: onde guardar as joias? Tem de inventar um esconderijo em casa", diz a empresária-socialite Bete Arbaitman.

"Não há mais lugar seguro. Os ladrões entram em casa também", pondera a colunável Eliane Hawilla.

Na semana passada, no Rio, levaram do apartamento de um casal que mora em um bairro nobre da zona sul 28 peças avaliadas em R$ 700 mil.

Especialistas não recomendam outro lugar para manter joias e objetos de valor, além de bancos e da própria casa. Um terceiro endereço (escritório, por exemplo) obrigaria a pessoa a circular com a peça pela rua.

"Quanto mais se leva esses objetos de um lugar para outro, maior o risco de exposição", diz João Palhuca, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo (Sesvesp).

Ele diz que os mais temerosos mantêm em casa cofres-fortes de altíssima segurança. "As portas são importadas da Suíça, para que o segredo fique restrito a um mínimo de pessoas."

Poucos bancos ainda oferecem o serviço de cofre. As assessorias do Citibank e do Banco do Brasil afirmam não se tratar de um grande negócio (o primeiro cobra R$ 650 por semestre e o BB não divulga o valor), mas de "um plus" para o cliente.

De acordo com a assessoria da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o número de bancos com cofres foi reduzido com a estabilização da moeda e a diminuição do "dinheiro físico", "guardável", em circulação. O ouro não é mais tratado em barra; hoje, negocia-se a cautela.

Enquanto não se chega a uma solução completamente segura para guardar as joias, arquitetos falam de seus truques. "Criei uma estante com compartimento camuflado para um cliente advogado", conta Pricila de Barros, autora da "suíte do conquistador" da Casa Cor. O "baú" fica na guarnição da parte superior da estante. Com 30cm de altura e 40cm de profundidade, tem ferragens não aparentes, estilo "toque leve". "Basta encostar que abre."

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