GABRIELA BILO/ ESTADAO
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GCM que recomendou fechamento do Ibirapuera mais cedo é transferido para Ermelino Matarazzo

Comandante Rubens Aparecido da Silva defendeu que parque encerrasse atividades às 22h pelo suposto perfil do público após esse horário: 'Homossexuais, skatistas e jovens com problemas relacionados ao uso de bebidas'

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2016 | 11h43

SÃO PAULO - A gestão Fernando Haddad (PT) decidiu transferir Rubens Aparecido da Silva, o comandante da Guarda Civil Metropolitana (GCM) do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, para a unidade de Ermelino Matarazzo, na zona leste. O motivo é um relatório que desaprova o funcionamento do Ibirapuera depois das 22 horas e o horário estendido de fim de semana. Seu antigo subcomandante, Ademir Raimundo, assume a inspetoria.

No texto do relatório, revelado pelo Estado, Silva defendeu a mudança pelo suposto perfil do público após esse horário: “Homossexuais, skatistas e jovens com problemas relacionados ao uso de bebidas”. Para o secretário Municipal de Segurança Urbana, Benedito Mariano, a justificativa pode “passar a ideia de preconceito”. “Não era a intenção dele, que é um bom inspetor, mas teve uma postura equivocada. Não foi por má-fé”, diz.

Segundo Mariano, Silva também errou ao fazer o relatório sem falar com o comando da GCM e sem comunicar a pasta. O secretário afirma, ainda, que a transferência para Ermelino Matarazzo, área periférica de São Paulo, não significa que inspetor foi desprestigiado. “Ele vai continuar valorizado, trabalhando em uma região maior.”

O Ibirapuera é tratado como prioridade pela GCM. De acordo com Mariano, a escolha do substituto levou em conta a familiaridade com o parque. “O Ademir (Raimundo) já trabalha lá, então conhece a região”, afirma o secretário. A mudança deve ser publicada nesta sexta-feira, 11, no Diário Oficial da Cidade.

Na visão de Silva, seria “salutar” fechar o parque às 22 horas, independentemente do dia. Hoje, os portões têm horários variados. Durante a semana, quatro deles permitem entrada a partir das 5 horas e saída à meia-noite - maior período disponível. Só de sábado para domingo é que há circulação 24 horas.

No relatório, a GCM classifica como “ameaças” ao parque a concentração de minorias (sem especificar quais), de flanelinhas, comerciantes irregulares e o registro de rolezinhos. Para a Prefeitura, ele cometeu “discriminação” aos cidadãos.

O documento também aponta como áreas de risco para ocorrência de roubos, furtos e consumo de entorpecentes a marquise, as quadras, a Passarela Ciccillo Matarazzo e o espaço conhecido por “bambuzal”.

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