Guarda noturno diz que viu Gil Rugai perto da casa do pai no dia do crime

Perito também foi ouvido e negou que seja possível determinar se o machucado no pé do réu tem relação com a marca em uma porta da mansão, que foi arrombada

Adriana Ferraz - O Estado de S.Paulo,

18 de fevereiro de 2013 | 21h26

Primeira testemunha a ser ouvida, o guarda noturno Domingos Ramos de Oliveira Andrade confirmou nesta segunda-feira que viu Gil Rugai, de 29 anos, momentos após o crime na rua onde o pai e a madrasta do jovem foram assassinados há quase nove anos. Em 2 horas e 40 minutos de depoimento, o vigia afirmou por diversas vezes que o réu esteve na Rua Traipu, onde ficava a mansão do casal, em Perdizes, na zona oeste da capital. "Não sou louco, não rasgo dinheiro. Tenho certeza absoluta que era ele", disse.

Filho mais velho de Luiz Carlos Rugai, de 40 anos, Gil é acusado de atirar contra o pai e a madrasta, Alessandra de Fátima Troitino, de 33, em 28 de março de 2004. Segundo denúncia do Ministério Público Estadual, o réu matou o casal por vingança, de forma premeditada, após ter sido descoberto um desfalque de R$ 150 mil feito por ele na produtora de vídeo da família. O julgamento deve se estender ao longo desta semana, quando os sete jurados definirão se Gil é ou não culpado pelo duplo homicídio - 15 testemunhas devem ser ouvidas até lá.

O vigia é a única testemunha que coloca Gil na cena do crime. Semi-analfabeto e de origem simples, ele teve suas afirmações questionadas e colocadas em dúvida pela defesa. Pressionado, o vigia caiu em contradição sobre o local onde avistou o réu, a cor das roupas que usava e a posição em que estava em relação à mansão. Nervoso, afirmou inicialmente que Gil estava acompanhado por um homem. Momentos depois, disse que não poderia definir o sexo do acompanhante.

Os disparos contras as vítimas, de acordo com a testemunha, foram ouvidos por volta das 21h e fizeram com que ele deixasse sua guarita, a cerca de 80 metros do portão da casa das vítimas. De forma confusa e pouco coerente, segundo a defesa do réu, o vigia disse ter visto Gil cruzar a rua cerca de 20 minutos após os barulhos de tiro. "Não iria dizer que vi uma coisa que não vi. Se estou dizendo que vi é porque eu vi."

Ao juiz Adilson Paukoski Simoni, Domingos reconheceu ter contado sobre os fatos apenas no terceiro depoimento prestado à polícia. E afirmou que passou a ser ameaçado após fazer a revelação - o que o levou a compor o programa de proteção a testemunhas, assim como sua mulher. A guarita onde o guarda trabalhava foi queimada dias após o crime.

Para os advogados de defesa Marcelo Feller e Thiago Gomes Anastácio, o depoimento do vigia só confirma a tese da defesa de que a "denúncia beira o ridículo". A dupla classificou o testemunho como confuso e importante para inocentar Gil. O promotor de Justiça Rogério Zagallo, responsável pela acusação, concorda que a informação dada pelo vigia é igualmente importante, mas para condenar o réu. "

Pé na porta

Uma lesão no pé direito de Gil Rugai é parte dos argumentos apresentados pela acusação para colocar o réu na cena do crime. Segundo a Promotoria, o filho mais velho de Luiz Carlos arrombou a porta da sala de TV onde o pai se escondia com um chute. O pontapé teria provocado o machucado na vítima e a marca constatada pela perícia.

Durante testemunho, o médico legista do Instituto de Criminalística Daniel Romero Munhoz confirmou a lesão, mas não afirmou que ela é resultado do pontapé. Segundo o perito, o sinal pode ter várias causas e, por isso, não é possível confirmar nem negar a tese da acusação. Também do IC, Adriano Yssamu Yonanime foi enfático. Para o segundo perito ouvido nesta segunda-feira, a marca de pé encontrada na porta é compatível com o pé de Gil Rugai.

Para esta terça-feira estão marcados nove depoimentos de testemunhas arroladas pela defesa e mais uma pelo juiz.

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