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Guarda Civil de SP matou 17 desde 2013; 4 somente neste ano

Segundo instituição, em 11 casos agentes estavam fora de serviço e, em 6, trabalhando; para secretário, não há ‘cultura da letalidade’

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

29 Junho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Dezessete pessoas foram mortas por guardas-civis metropolitanos (GCMs) na cidade de São Paulo de 2013 a 2016. As informações são do comando da instituição e incluem o caso do menino de 11 anos morto em uma perseguição, no último sábado, dia 25, em Cidade Tiradentes, na zona leste. 

Neste ano, foram registradas quatro mortes, quase o total de casos do ano passado, cinco. Em 2014, aconteceram seis mortes e em 2013, dois casos. Segundo as estatísticas, em 11 casos, os guardas estavam fora de serviço e, em seis, trabalhando.

Para o secretário municipal de Segurança Urbana, Benedito Domingos Mariano, os números mostram que não há “cultura da letalidade” na GCM da capital. “Considerando uma cidade do tamanho de São Paulo e um efetivo de seis mil homens que trabalham armados todos os dias, os índices estão muito baixos, menores do que em países como os Estados Unidos, por exemplo.”

Mariano afirmou que um dos casos se refere a um crime passional - um GCM matou o suposto amante da mulher. “O outro caso que teve a conduta dos guardas totalmente errada, pois foge do padrão de atuação da Guarda, foi justamente o que terminou com a morte do menino de 11 anos, no fim de semana. Nas demais ocorrências, a investigação da Corregedoria da GCM concluiu que os guardas agiram em legítima defesa, pois houve confronto com bandidos”, disse o secretário.

O comando da GCM vai reforçar nesta semana a instrução para que os guardas adotem as normas estabelecidas há oito anos, que não permitem abordar veículos em atitude suspeita ou se envolver em perseguição a suspeitos. “O guarda anda armado para se proteger e não para participar de ocorrências policiais”, afirmou Mariano.

Investigação. O guarda Caio Muratori, que atirou no menino de 11 anos durante a perseguição, e seus dois colegas estão afastados da ruas e respondem a um procedimento administrativo na Corregedoria da GCM. Os trabalhos devem ser concluídos em até um mês.

Para o vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Renato Sérgio de Lima, existe a possibilidade real de confronto com o uso de arma de fogo no cotidiano de policiais e guardas em uma cidade como São Paulo. Mas é preciso avaliar como os GCMs são preparados para usar uma arma.

“Muitos guardas adotam comportamentos de policiais militares, como se fossem um deles. Muitos têm na Polícia Militar um exemplo. Mas a referência da PM é a de adotar o confronto, como mostram as estatísticas”, disse Lima.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), os números são preocupantes. “Mostram que a Guarda está seguindo a linha de atuação violenta, como a PM, em vez de ser mais preventiva e comunitária. Está se tornando uma réplica: militarizada e violenta”, afirmou Alves.

Haddad diz que não vai trocar comando

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse não ter intenção de trocar o comando da Guarda Civil Metropolitana (GCM) após a ocorrência que terminou em morte no fim de semana. Ele fez uma analogia com as Polícias Civil e Militar, cujo número de mortes de crianças e adolescentes em operações nos últimos seis anos chega a 191, como mostrou o Estado. “Imagina isso na PM. Teríamos 191 trocas de comandantes em função das mortes”, disse. Ele reforçou que o caso está sendo investigado. “O que aconteceu será apurado, tanto pela Polícia Civil quanto pela Corregedoria da Guarda. Mas você tem de abrir o processo para dar o direito de defesa para a pessoa.”/COLABOROU JULIANA DIÓGENES

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