ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Guarda civil bloqueia ruas da cracolândia; pedestre é revistado

Objetivo é impedir que dependentes voltem a armar barracas na ‘favelinha’; policiamento aumentou na região

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2015 | 21h01

Dois dias após operação que acabou com a “favelinha” - barracas armadas pelos usuários de crack - na cracolândia, a Prefeitura montou nesta sexta-feira, 1, bloqueios nas principais vias de acesso à área e a Guarda Civil Metropolitana vistoriou bolsas e sacolas de pedestres que queriam passar pela região, na tentativa de controlar a entrada de drogas.

Para impedir a passagem de veículos, cones foram colocados na esquina das Alamedas Dino Bueno e Cleveland e uma faixa zebrada entre a Cleveland e a Rua Helvétia, próximo da Praça Júlio Prestes. Somente viaturas da Polícia Militar e da GCM e caminhões de limpeza da Prefeitura puderam circular.


Além de fiscalizar sacolas e mochilas de pedestres, a GCM também barrou ao longo do dia a passagem de carrinhos de supermercado, carroças e qualquer outro material que pudesse ser usado para a remontagem das barracas. O Estado presenciou a recusa de um homem à revista de sua mochila pelos guardas-civis metropolitanos. O GCM chegou a retirar a arma de choque da cintura no momento da abordagem, mas o rapaz acabou cedendo.

Segundo o inspetor da GCM, Donizete da Cruz, comandante da operação, não há previsão para a liberação das vias. “As principais entradas foram bloqueadas para que não entrem nem carrinhos nem de veículos. Não é para fazer barraco nem moradia de novo”, afirmou.

Como estratégia para evitar a volta das barracas e conseguir finalizar as obras de revitalização da Praça Júlio Prestes, a Prefeitura também cercou com tapumes o pedaço antes povoado de dependentes químicos. 

Na quinta-feira, apesar da proibição da Prefeitura, era possível ver homens e mulheres empurrando carrinhos de supermercado de um lado para o outro. Questionado, Cruz disse que a GCM “estava tolerando (na quinta-feira)”, mas que desde ontem “é tolerância zero”.

Depois da remoção das barracas da “favelinha”, a Guarda Civil Metropolitana dobrou o efetivo na região em relação aos meses anteriores, segundo o comandante Gilson Menezes. A GCM tinha ontem 180 homens na região.

Ação desorganizada. A operação de desmonte da “favelinha” foi feita pela Prefeitura e pelo Estado na quarta-feira. A ação, que estava sendo organizada pelos dois governos, foi iniciada pela gestão Fernando Haddad (PT) sem aviso prévio, o que foi criticado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. A Prefeitura não se manifestou sobre as declarações de Moraes.

A ação teve momentos tensos, e a PM foi acionada. Dois moradores de rua ficaram feridos por estilhaços de bala disparada por um policial. Usuários de crack montaram barricadas com papelão e a Tropa de Choque respondeu com bombas de gás.

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