Guarda atraía público em cruzamento

Imagine a cena: o motorista para sobre a faixa e é obrigado pelo guarda a abrir a porta para que os pedestres atravessem por dentro do carro. Ou então: o pedestre tem de mostrar ao mesmo guarda se traz no peito o "S do Super-Homem", já que cruza a via pelo meio, entre os veículos.

/ DENIZE GUEDES, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2012 | 03h02

Impossível? Não, e os casos são só alguns dos que deram fama ao guarda Luizinho, nos anos 1970. Ele ficava na Rua Coronel Xavier de Toledo com a Praça Ramos de Azevedo, no centro de São Paulo. "Centenas de pessoas iam me ver trabalhar na hora do almoço", diz Luiz Gonzaga Guarda Luizinho Leite - sim, ele mudou o nome de batismo na Justiça -, de 72 anos.

No período em que atuou no cruzamento, de 1972 a 1981, Luizinho não viu atropelamentos nem expediu uma multa sequer. "Acredito em prevenir, orientar e educar em vez de punir", diz. "Mas com bom humor, para marcar."

E marcou. Até hoje, pequenos comércios de bairro estampam fotos do guarda na parede, como um herói, e pessoas ainda o reconhecem na rua. Atualmente, ele dá palestras em escolas. Perguntado sobre a atual campanha da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para pedestres, ele aprova. "Uma em que pedem para a pessoa voltar para calçada, né? (sobre mudanças no tempo do vermelho piscante dos semáforos) É válida."

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