Guarda à paisana fará ronda durante a Parada Gay

Prefeitura de SP quer coibir venda do chamado vinho químico; PM vai monitorar imagens para impedir ataques homofóbicos

Adriana Ferraz e Camila Brunelli - O Estado de S. Paulo,

06 de junho de 2012 | 22h30

SÃO PAULO - Cerca de 70 guardas vão circular à paisana pela Parada Gay, no próximo domingo, na capital paulista. O grupo, que representa 10% do efetivo da Guarda Civil Metropolitana, foi formado para coibir a venda do chamado vinho químico que, com teor alcoólico superior a 90%, pode até matar. No mês passado, uma jovem de 17 anos morreu durante a Virada Cultural após supostamente ter misturado a bebida com cocaína.

Segundo a Secretaria Municipal da Segurança Urbana, mais de 45 mil litros do vinho foram apreendidos na cidade nos últimos três anos. O comércio é concentrado em eventos de rua de grande porte, como a Parada, a Virada Cultural e o réveillon da Paulista. A estimativa da Prefeitura é de que, neste ano, a festa mobilize 3 milhões de pessoas durante todo o feriado.

Além de guardas municipais, o esquema de segurança terá 1.500 policiais militares e 250 agentes particulares. O efetivo de 2.450 homens e mulheres - incluindo os guardas-civis - vai atuar nos arredores da Avenida Paulista e também no Largo do Arouche e na Praça da República, entre outros endereços do centro. A atenção nesses locais será reforçada a partir das 20h de domingo, após o término oficial da Parada.

Ao mesmo tempo, segundo a Polícia Militar, o Centro de Inteligência da corporação vai monitorar ruas frequentadas pelos gays, como Frei Caneca, Augusta e Bela Cintra, todas na região da Consolação, para evitar a ação de grupos de intolerância. A PM também afirma que receberá informações por meio do disque-denúncia (193) e imagens do circuito de videomonitoramento para coibir atos de discriminação sexual.

O uso de arma não letal, como a pistola Taser - que paralisa o suspeito com choque elétrico -, não está descartado, segundo a PM. Ela será usada de acordo com a demanda encontrada no local. Já as blitze da lei seca estão confirmadas no fim de semana. A orientação é dar preferência ao transporte público.

As interdições no tráfego terão início às 10 horas de domingo na Avenida Paulista. Ao meio-dia, o bloqueio se estende em trechos de vias da área central, como as Avenidas Ipiranga e São Luís.

 

Patrocínio. Com R$ 120 mil a menos de patrocínio em relação ao ano passado, a 16.ª edição da Parada Gay será menor. Com um total de R$ 325 mil para investimentos, a festa terá o desfile de 14 trios elétricos - foram 16 em 2011.

A organização do evento alega que teve dificuldade para angariar apoio e atribui a perda de orçamento ao preconceito. Segundo Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada, muitos empresários resistem em relacionar suas marcas ao evento. "Infelizmente, ainda temos muito preconceito enraizado no Brasil."

Menor ou não, a previsão de arrecadação com o turismo da Parada permanece a mesma. No ano passado, segundo a São Paulo Turismo (SPTuris), o gasto médio do visitante foi de R$ 1.813 no feriado. O turista estrangeiro gasta duas vezes mais.

Para ajudar na escolha do roteiro, a Prefeitura inicia nesta quinta-feira, 7, a distribuição de um guia de bolso com dicas de restaurantes, bares e baladas. O material será entregue durante a Feira Cultural no Vale do Anhangabaú, das 10 às 22 horas. Quem chegar à cidade pelo Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, ou pelo Terminal Rodoviário do Tietê também pode pegar o material nos postos de atendimento ao turista. / Colaborou Juliana Deodoro

Tudo o que sabemos sobre:
trânsitoParada Gay

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.