Evelson de Freitas/Estadçao
Evelson de Freitas/Estadçao

Guarapiranga e Cantareira quase igualam captação

Quase 7 vezes menor que manancial principal, represa da zona sul cede 15 mil litros por segundo para abastecer 5,2 mi de pessoas

Rafael Italiani e Fabio Leite , O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 03h00

Uma represa que é sete vezes menor do que todo o Sistema Cantareira está produzindo quase a mesma quantidade de água que o maior manancial do Estado hoje. A Guarapiranga fornece 15 mil litros por segundo para abastecer 5,2 milhões de habitantes, enquanto o reservatório em crise de estiagem tem cedido 16,1 mil litros para atender 6,5 milhões de pessoas só na Grande São Paulo. 

Há um ano, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) retirava 31 mil litros por segundo dos principais reservatórios do Cantareira. Por causa da seca no manancial, a pior em 84 anos, a captação caiu 48%. Parte dessa redução foi possível pelo remanejamento de água do Alto Tietê e do Guarapiranga para bairros da capital que antes eram atendidos pelo manancial principal.

No início do mês, a Sabesp aumentou a produção de água da represa localizada na zona sul de São Paulo de 14 mil litros por segundo para 15 mil litros para diminuir ainda mais a dependência do Cantareira. Cerca de 20% desse volume têm socorrido 1,3 milhão de pessoas em bairros como Aclimação, Alto de Pinheiros, Brooklin, Itaim, Saúde e Vila Mariana, nas zonas oeste e sul da capital.

O plano da companhia é levar o Guarapiranga a 16 mil litros por segundo até setembro de 2015, quando o Cantareira já pode ter entrado em colapso, caso o volume de entrada de água continue quase 80% abaixo da média. “Daqui a pouco, o Guarapiranga passa o Cantareira”, disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB), no dia 6 deste mês.

No entanto, o Guarapiranga, que era o principal manancial da Grande São Paulo até a construção do Cantareira, na década de 1970, tem capacidade para 171 bilhões de litros, enquanto o maior sistema paulista chega a 1,2 trilhão de litros, somando as duas cotas do volume morto. Ainda hoje, por exemplo, mesmo com a crise aguda, o Cantareira tem mais água.

Crise. Apesar de especialistas considerarem ser uma alternativa viável diante da estiagem, o uso excessivo da água da Guarapiranga também pode colocar o manancial em crise. “Tirar água de outros reservatórios durante o período seco pode causar o esvaziamento deles. Houve uma superexploração do Cantareira que ajudou que ele ficasse seco. Se isso for feito na Guarapiranga, vai acontecer o mesmo”, alertou Antonio Carlos Zuffo, professor do Departamento de Hidrologia da Unicamp.

O especialista ainda disse que a represa não produz os 15 mil litros por segundo sozinha. Hoje, o manancial tira cerca de 2,2 mil litros de água por segundo do braço Taquacetuba, da represa vizinha Billings. Além disso, a chuva dos últimos dias tem ajudado a aumentar o nível da represa, diferentemente do que acontece no Cantareira e no Alto Tietê. Ontem, porém, o sistema teve queda (veja abaixo).

Segundo Rubem La Laina Porto, engenheiro e professor de Hidrologia da Escola Politécnica da USP, a ajuda da Guarapiranga é “essencial” diante da crise. “A ajuda pode ser mais importante no futuro”, afirmou. Ainda segundo ele, a estratégia do governo do Estado é diminuir ainda mais a dependência do maior sistema. 

Segurança. Em nota, a Sabesp disse que suas projeções apontam que as condições atuais da Represa do Guarapiranga são mais favoráveis quando comparadas ao Cantareira. “A base do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) da companhia é promover e garantir o abastecimento de água à população, utilizando-se do sistema com maior poder de suporte no momento, mantendo o equilíbrio entre eles. Para isso, a Sabesp os monitora constantemente e avalia todos os cenários, com o objetivo de garantir a segurança das retiradas e produções de água.” 

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