Guarapiranga alcança maior nível para setembro em 26 anos

Represa de Cantareira atinge 83% de capacidade, após chuvas consideradas atípicas para este mês

Daniel Gonzales, Jornal da Tarde,

15 de setembro de 2009 | 09h02

 
 

Água da Guarapiranga invadiu um restaurante na Av. Robert Kennedy. Foto: Valéria Gonçalvez/AE

 

Depois de sucessivos anos em que o mês de setembro era sempre o ponto máximo da estiagem - quase sem chuva, os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo costumavam registrar os níveis mais baixos de todo o ano -, em 2009 há o que comemorar. A Represa do Guarapiranga, na zona sul da capital paulista, e o Sistema Cantareira, que fornece água para toda a Região Metropolitana, bateram ontem recordes em quantidade de água armazenada.

Levados em conta apenas os meses de setembro, a Guarapiranga atingiu o maior nível em 26 anos. Estava com 93,5% da capacidade - em 14 de setembro do ano passado, por exemplo, tinha 53,8%. O reservatório só não superou os 96% de setembro de 1983, ano em que choveu ainda mais.

Segundo Hélio Luiz Castro, superintendente de Produção da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa responsável pela represa, a precipitação foi mesmo anormal. Em todo o mês de setembro de 2008, o volume de chuva na represa foi de 18,4 milímetros. Neste ano, só até ontem, caíram 128,4 milímetros, ou sete vezes mais. "A chuva costuma carregar mais poluição difusa para a represa, mas estamos dando conta de recolher o lixo."

Dois barcos especiais, com esteiras e pás para recolhimento e rolagem da sujeira, além de canhões de água para soltar o material preso à vegetação, fazem a limpeza da Guarapiranga desde meados deste ano. Em média, são retirados de 200 a 500 sacos de 100 litros cada um, todos os meses, das águas.

CANTAREIRA

A situação no Sistema Cantareira também é "bastante confortável", de acordo com Castro. Ontem, o nível estava em 83%, a maior marca desde 1996 - quando foi registrada uma capacidade de 87%. Neste setembro, a precipitação por lá atingiu 95,7 milímetros, dez vezes mais do que os 9,1 milímetros do mesmo mês no ano passado.

Com o nível alto, o tratamento da água fica mais fácil, de acordo com o superintendente da Sabesp. "Diminui a quantidade de partículas em suspensão e sujeira, pois o volume (que chega às estações de tratamento) é maior", explica Castro. O consumidor, segundo ele, não nota diferenças.

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