Guará identifica duas CNHs falsas e investiga outras cinco

Dois analfabetos compraram cartas por R$ 1,4 mil cada no interior de São Paulo; os demais irão depor

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2008 | 16h25

A Polícia Civil de Guará, cidade com 18 mil habitantes na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, já confirmou a existência de duas de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH) falsas no município. Dois piauienses analfabetos, de Beneditinos, já confirmaram que pagaram R$ 1,4 mil cada pelos documentos, oriundos de Ferraz de Vasconcelos. O delegado José Augusto Franzini está intimando outras cinco pessoas - um de Guará e os demais também do Piauí. Ele vai enviar cópias dos casos para a Corregedoria do Detran.   Veja também: Escuta revela que máfia da CNH prestava serviço ao PCC PF prende 21 acusados de fraudes no Detran do Pará Fraudes derrubam corregedor do Detran e dois delegados   Franzini está em Guará desde fevereiro e, após denúncia anônima de falsidade de CNH, em 30 de maio ouviu o depoimento do lavrador Vilmar Lopes Marcineiro, de 26 anos. Marcineiro não conseguiu escrever um ditado simples, quando o delegado desconfiou que ele era analfabeto. O lavrador confessou, então, que alguém o procurou e ofereceu o negócio fraudulento. O documento chegou a ele, que nem saiu de casa, dois dias após o pagamento.   João Batista Rodrigues de Oliveira foi ouvido na quarta-feira, 4, e também confessou o delito. Ambos serão indiciados por receptação. "O juiz pode considerá-los vítimas, mas, pra mim, não foram, não, pois acho que são tão criminosos quanto os que venderam as cartas", disse o delegado. Franzini levantou na Ciretran as CNHs oriundas de Ferraz de Vasconcelos e investiga outros cinco casos. Um dos casos mais divulgados da Operação Carta Branca foi a CNH falsa do lavador de carros Joal da Silva, de Franca. A carta dele foi assinada erroneamente como "João".

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