Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Grupos favoráveis à abertura da Paulista prometem ocupar avenida neste domingo

Concentração será na Praça do Ciclista e a previsão é que os participantes caminhem até o Parque Trianon

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 15h47

Atualizada às 17h32

Entidades favoráveis à abertura da Avenida Paulista vão aproveitar a Virada Sustentável, evento que ocorre no próximo domingo, 30, para pressionar pelo fechamento da via para veículos em definitivo aos domingos. Organizado pelas ONGs Rede Minha Sampa, SampaPé e Ciclocidade, o ato "Paulista Aberta" é um convite à ocupação da Avenida e tem início às 9h. 

A concentração é na Praça do Ciclista e a previsão é que os participantes caminhem até o Parque Trianon. A expectativa é que pelo menos 200 pedestres se juntem à pedalada da Virada Sustentável, que já terá o apoio da Companhia de Engenharia do Tráfego (CET). A Prefeitura de São Paulo ainda não confirmou se a Paulista será fechada neste domingo. O prefeito Fernando Haddad (PT) já havia sinalizado que poderia ocorrer o fechamento definitivo no final de semana seguinte à inauguração da ciclovia na Bernardino de Campos. 

O evento no Facebook tem 1,4 mil confirmações e a descrição convida: "Venham com suas cangas, cadeiras, patins, patinete, bicicleta, tênis, descalço, para pintar, desenhar, tomar sol, curtir". Durante o ato, membros das ONGs vão realizar uma pesquisa de opinião com comerciantes da Avenida Paulista para investigar se as vendas foram prejudicadas nos testes de fechamento da Paulista, nos dias 28 de junho e 23 de agosto. Esta é a principal crítica da Associação Viva Paulista, que tem reclamado dos impactos econômicos causados nos domingos de bloqueio da Avenida. 

Segundo o coordenador de mobilizações da Minha Sampa, Guilherme Coelho, o objetivo é mostrar que a abertura da Paulista é uma demanda da sociedade civil e que a ideia nasceu da população, e não da Prefeitura de São Paulo.  Um grupo de coletivos, encabeçado pela Rede Minha Sampa e SampaPé, estão liderando a ação Paulista Aberta.

"O Movimento da Paulista Aberta foi a nossa primeira mobilização. Desde 2014, junto com a SampaPé, estamos negociando e conversando com a Prefeitura. Não é uma proposta que vem da Prefeitura, nem é uma ideia que nasceu do nada e sequer é marqueteira", disse Coelho. "Somos apartidários, mas defendemos uma cidade mais viva, que seja mais para as pessoas. O pedestre precisa ter mais espaço, voz e vez", defende.

Desde setembro do ano passado, o site Panela de Pressão, que encaminha "pressões" da população aos administradores públicos competentes, recebe demandas referentes à "independência da Paulista". Até agora, 2.461 pressões foram feitas e encaminhadas diretamente aos e-mails do prefeito Fernando Haddad, do secretário municipal de Transportes Jilmar Tatto, da CET, da Ouvidoria Geral do Município e outros setores da Prefeitura. 

"Queremos o fechamento de uma das vias da Paulista aos domingos para a criação de um grande calçadão de lazer, permitindo que todos os paulistanos usufruam desse espaço", reivindica a carta no Panela de Pressão.

Bernardino de Campos. A Avenida Paulista foi bloqueada para teste pela segunda vez no último domingo, 23, para inauguração da ciclovia na Avenida Bernardino de Campos - apesar de o MPE ter se posicionado contrário ao fechamento da via para carros. O argumento da Promotoria de Habitação e Urbanismo é que a Paulista só pode ser fechada três vezes por ano, segundo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com a Prefeitura em 2007. Caso o termo não seja cumprido, a administração municipal deverá pagar multa de R$ 30 mil.

"A ideia é que, conseguindo fechar a Paulista, a CET faça a operação de fechamento para segurança, como é feito em qualquer operação durante as manifestações. A ideia é pressionar, totalmente. Pressionar a Prefeitura e, em especial, mostrar ao Ministério Público que isso é um pedido das pessoas, e não uma invenção do Executivo. Tem gente que quer a Paulista morta. O pedestre na Paulista significa uma Paulista realmente viva", explicou o coordenador da Minha Sampa. 

Entre os apoiadores, a ONG Cidade Ativa mobilizou voluntários à Avenida Paulista nos dias 5 de julho, 15 de julho e 18 julho, nos finais de semana seguintes à inauguração da ciclovia na avenida, buscando ouvir a opinião das pessoas sobre a abertura da via para pedestres aos domingos. Segundo estudo da ONG, 88% dos entrevistados disseram aprovar a abertura. 

Manifesto. Vinte e três entidades assinaram um manifesto publicado nesta sexta-feira, 28, solicitando que a abertura da Paulista não seja somente uma ação, mas "política pública de lazer e de humanização". Os grupos pedem que a política seja estendida para toda a cidade de São Paulo. O texto lembra que a Paulista tem "longo histórico de abertura para pessoas", em eventos, como palco de manifestações ou espaço de lazer. 

O manifesto critica a recomendação do Ministério Público e pede uma atualização do TAC assinado com a Prefeitura. "Solicitamos que o MPE-SP atualize a interpretação do TAC acima citado, levando em conta que seu texto está anacrônico em relação às novas visões de cidade e do uso do espaço público vigentes hoje na sociedade civil". As entidades reconhecem o papel do Poder Judiciário "nos freios e contrapesos da democracia", mas defendem que os órgãos da Justiça "não devem subjugar a vontade da população".

A Prefeitura de São Paulo informou que não vai se manifestar sobre o assunto. O promotor Mário Malaquias, que abriu o inquérito recomendando que a gestão municipal não feche a Paulista, informou, via assessoria de imprensa, que não vai se manifestar porque até as 16h30 desta sexta-feira o prefeito ainda não havia respondido às solicitações do MP.

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