Grupo vai ''caçar'' os fantasmas do centro

Caminhada por prédios históricos e assombrados também vai explicar um pouco da história da parte mais antiga da cidade

Bárbara Souza, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2011 | 00h00

Um grupo de admiradores do centro da capital paulista quer ser o primeiro a comemorar os 457 anos da cidade. Eles vão se reunir à meia-noite de hoje na frente do Teatro Municipal e sair em caminhada por prédios históricos e, dizem, assombrados. O passeio é gratuito.

Nada de ir a construções que remetam às tragédias tão conhecidas do paulistano - como incêndios do Andraus ou do Joelma ou o Castelinho da Rua Apa, onde a família Guimarães dos Reis foi assassinada. A caminhada vai passar por seis prédios "famosos por histórias horripilantes, manifestações do além", mas que não se saiba exatamente quem é o fantasma. "Nossa ideia é chamar atenção para o centro de forma divertida, mas com conteúdo", diz o guia turístico Laercio Cardoso de Carvalho.

Os relatos vão da loira sem rosto do Edifício Martinelli às correntes que se arrastam no Solar da Marquesa. Falam de gritos no Municipal e de passos na Biblioteca Mário de Andrade. "Aqui tem história de elevador subir sozinho. Sobe te acompanhando andar por andar", diz o segurança Francisco Peba, de 52 anos, funcionário do Martinelli há 19.

Carvalho promete explicar quem são os "fantasmas ilustres". "Os fantasmas fazem parte do imaginário da cidade. Alguns nem são tão conhecidos, como a Madame Poças Leitão", diz, referindo-se à professora de dança e boas maneiras que dava aula no prédio onde funcionou a Confeitaria Vienense.

É para lá, aliás, que o grupo segue ao sair do Municipal. O prédio, chamado Edifício da Paz, fica na Rua Barão de Itapetininga e foi construído em 1913. "Não sabemos quem é o fantasma ali, mas sabemos que há manifestações", diz o empresário Carlos Beutel, dono do restaurante vegetariano Apfel, que patrocina a Caminhada Noturna no Centro, realizada toda quinta-feira à noite. O grupo é o mesmo que está organizando a caminhada de "caça aos fantasmas". "O tema é divertido, mas o assunto é sério. As pessoas não conhecem o centro", diz Beutel.

O apelo ao sobrenatural pode trazer resultados positivos e atrair mais caminhantes. "A crença em fantasma faz parte da cultura", diz o psiquiatra Frederico Leão, do Núcleo de Estudos da Espiritualidade do Hospital das Clínicas.

No trajeto, uma passadinha pela Câmara Municipal. "Ali é fantasmagórico", brinca Beutel. "O que menos assusta são as manifestações paranormais."

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