Grupo usou mesmo método no Jardim Anália Franco, em SP

Eles tentaram aplicar ogolpe na zona leste com papéis inexistentes evenderam terras para americanos por R$ 1 mi

O Estado de S.Paulo

28 Junho 2015 | 02h31

Em 2008, Francisco Fagundes de Lima entrou na Justiça alegando ser proprietário de um terreno, onde seria construído um grande empreendimento imobiliário. Mas, dessa vez, a ação, repetida várias vezes em Santana de Parnaíba, aconteceu no Jardim Anália Franco, na zona leste de São Paulo. A vítima foi a Anália Franco Comércio e Desenvolvimento Imobiliário.

No processo consta que Lima apresentou um contrato de compra e venda do terreno assinado em 10 de janeiro de 1979 que lhe garantia a posse da área. Ele alegou que já havia construído casas e alugado para outras pessoas quando a propriedade foi invadida. E ainda pediu atendimento jurídico gratuito com um atestado de pobreza. O pedido foi negado. A área ficou conhecida na região por diversos conflitos, invasões e até um homicídio por causa da discussão sobre a posse da terra.

"O que aconteceu aí foi uma ação típica de grilagem de terras", disse o advogado José Custódio Filho, que defendeu a construtora. Segundo ele, durante o processo, o cartório onde Lima alegou ter feito o registro informou que não reconhecia as assinaturas no contrato de compra e venda, ou seja, o documento era falso. Em março de 2012, o juiz Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, da 39.ª Vara Cível, julgou a ação de Lima improcedente.

No mesmo ano, outro golpe. Dessa vez, a Belomar Incorporadora e Imobiliária e a Andras Associates, com sede em Albany, no Estado de Nova York, compraram parte da área do Sítio Barreiro, em Santana de Parnaíba. No processo, as empresas pagaram R$ 700 mil de sinal e mais uma parcela de R$ 350 mil para o grupo representado por Clóvis Espirito Santo da Silva que, segundo documentos apresentados, adquiriu as terras de Francisco Fagundes de Lima.

Porém, uma perícia no contrato e no terreno concluiu que aqueles documentos não tinham valor e que o contrato firmado entre as empresas com os golpistas "simplesmente não existia". As empresas estão processando a quadrilha.

Brigas. Antes de entrar na disputa judicial pelo terreno gigantesco de Santana de Parnaíba, Zezinho do Ouro se envolveu em diversas brigas, ameaças e agressões por causa de disputa de propriedades de imóveis. As vítimas vão desde integrantes da própria organização a donos de imóveis ou terrenos.

Somente entre 2005 e 2012, 18 boletins de ocorrência foram registrados em delegacias de São Paulo e região metropolitana. Em 2011, segundo a Polícia Civil, ameaçou a família de um dos integrantes do grupo para que ele transferisse um imóvel para o seu nome. Por duas vezes, teria ameaçado de morte pessoas em disputas por posse de terras em São Paulo. Acabou indiciado por ameaça. / A.H.

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