Grupo tenta invadir e depreda a Prefeitura

Após deixarem a Sé, manifestantes jogaram pedras, quebraram vidros e queimaram bandeiras; prefeito não estava no prédio

Artur Rodrigues, Bruno Deiro, Bruno Paes Manso, Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta, Renan Dissenha Fagundes, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2013 | 02h02

A "tropa de choque" anarquista que acompanha os protestos do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô tentou invadir a sede da Prefeitura de São Paulo, no centro, ontem, às 18h30. Dois dos cem guardas-civis municipais que fazem a segurança do local ficaram feridos - um deles levou nove pontos na cabeça e o outro, sofreu uma contusão na face.

A confusão começou quando o grupo violento jogou pedras nos GCMs, que reagiram com spray de pimenta. Os manifestantes arrancaram e arremessaram as grades do edifício. Os guardas-civis que estavam na porta recuaram. Os anarquistas chutaram a porta até que os vidros fossem quebrados. A maioria dos manifestantes tentava impedir a depredação e continuava com os gritos de "sem violência". Os anarquistas, com rostos cobertos e roupas preta, respondiam: "sem moralismo" e "quebrar, quebrar é melhor pra se manifestar".

Na frente do Edifício Matarazzo, sede do Executivo municipal, o grupo colocou fogo em uma cabine da Polícia Militar que fica na esquina da Rua Libero Badaró com o Viaduto do Chá. Tudo aconteceu a cerca de 150 metros do prédio da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Às 20h30, quando agências bancárias da Praça do Patriarca (que já tinham os vidros quebrados) começaram a ser incendiadas, os bombeiros apareceram. Depois, chegou a Força Tática, às 20h40. Segundo informou a Prefeitura, a PM só foi acionada às 20h, quando "a situação ficou crítica".

Os funcionários já tinham saído do prédio na hora em que a confusão começou - entre eles o prefeito Fernando Haddad (PT), que deixou o local às 17h30 para uma reunião com a presidente Dilma Rousseff.

As bandeiras da Prefeitura e do Estado foram queimadas - a do Brasil foi protegida por um manifestante. O corretor de imóveis Gustavo Elis, de 26 anos, chegou a ser agredido por impedir que ela fosse arrancada. "Não é por causa de meia dúzia de idiotas que vou deixar queimar a bandeira."

Outros participantes formaram cordões humanos para impedir mais vandalismo na Prefeitura, entre eles o artista plástico William Stédile, de 18 anos, vestido de Super-Homem. "Não é de violência que o Brasil precisa. O Brasil precisa de um grito, isso não é um grito, é uma lesão", reclamou.

Quebra-quebra. Quem partiu para o quebra-quebra se justificou. "Estamos querendo lutar por nossos direitos. Se é o jeito de eles nos ouvirem, vamos fazer isso", disse um estudante de 18 anos mascarado. A "tropa de choque" anarquista jogou pedras em fotógrafos e deu socos em repórteres. Parte do grupo foi para o outro lado do prédio, na Rua Dr. Falcão Filho, e tentou invadir a Prefeitura por uma porta lateral.

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