Grupo sem-terra inicia 'janeiro quente' e invade fazenda em São Paulo

Começamos por aqui, mas vamos chegar até as terras da ministra Kátia Abreu, defensora dos latifundiários, disse líder do movimento

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2015 | 19h19

SOROCABA - Integrantes do Movimento Sem-Terra Bandeirantes ocupam desde a madrugada de sábado, 17, a Fazenda Recreio, em Piratininga, região de Bauru, noroeste do Estado de São Paulo. A propriedade é usada para reflorestamento de eucalipto. O movimento faz parte da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), liderada por José Rainha Junior, dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST).

De acordo com Rainha, essa é a primeira ocupação do 'janeiro quente', como ele chama a jornada de lutas que a Frente realizará até o final do mês em todo o País. "Este será o ano do enfrentamento do agronegócio e do latifúndio improdutivo. Começamos por aqui (interior de São Paulo), mas vamos chegar até as terras da ministra (da Agricultura) Kátia Abreu, defensora dos latifundiários", disse.

Os 250 militantes, segundo o movimento - a Polícia Militar contabilizou cerca de 150 ocupantes -, montaram barracos próximo da sede da fazenda. De acordo com Antonio Carlos Lorca, líder do acampamento, a área foi desapropriada em 2012 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e deveria ter sido transformada em assentamento, mas continua sendo explorada por uma empresa de reflorestamento.

O objetivo da ocupação, segundo ele, é apressar o assentamento das famílias. A PM informou que um funcionário da fazenda registrou a invasão e disse que os proprietários devem entrar com pedido de reintegração de posse nesta segunda-feira (19). A Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) informou que, por se tratar de área particular, qualquer providência visando à desapropriação da área deve ser tomada pelo Incra.

Até as 19 horas, contatada por e-mail e telefone, a assessoria de imprensa do Instituto não havia dado retorno. A reportagem também entrou em contato com o superintendente do Incra em São Paulo, Wellington Diniz Monteiro, mas o celular estava em caixa postal. A mesma fazenda havia sido ocupada no ano passado por integrantes da Frente. Na ocasião, a Justiça determinou o despejo dos invasores.

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