Grupo que atuou no 11 de Setembro vai ajudar famílias

Psiquiatras da PUC de Porto Alegre que acompanharam parentes de vítimas do World Trade Center em 2001 vão atender pais de feridos

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 02h02

Equipes que atuaram no suporte psiquiátrico de familiares das vítimas do ataque às torres gêmeas de Nova York, o World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, prestarão apoio a familiares de sobreviventes da tragédia que matou 235 pessoas em Santa Maria. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ajudar as famílias a superar o ocorrido "com a menor dor possível" é a grande preocupação do governo neste momento.

O atendimento é destinado a parentes e amigos dos 53 pacientes internados em Porto Alegre, todos em estado grave, respirando por aparelhos e, em sua maioria, intoxicados pela inalação da fumaça do incêndio. A assistência faz parte de uma força-tarefa específica, que teve a colaboração do professor e psiquiatra Pedro Lima, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. "Contamos com a participação de um grupo da PUC do Rio Grande do Sul que atuou nos ataques. O mesmo protocolo usado (no caso) das torres, de dar suporte psicológico às famílias em um trauma como esse, está sendo aplicado."

Além desse apoio, há também cerca de 50 profissionais da Força Nacional do SUS mobilizados para atuar na situação. "Eles estão acostumados a enfrentar tragédias como essas. Atuaram no terremoto do Haiti, nas enchentes da região serrana do Rio", afirmou o ministro, que destacou ainda a participação de voluntários e médicos de outras cidades.

Outra preocupação do ministérios é com sobreviventes que não apresentaram sintomas imediatos, o que ainda pode ocorrer. "É comum em incêndios como esse que as pessoas que não tiveram nenhum sinal ou sintoma nas primeiras horas virem a desenvolver até quatro dias depois um quadro de pneumonite química." Os sintomas são tosse, falta de ar, sensação de cansaço e náuseas. "O quadro pode evoluir para uma importante insuficiência respiratória e precisa de ventilação mecânica." Padilha pediu que todos os sobreviventes que, por ventura, sintam qualquer dos sintomas procurem um posto de saúde e informem que esteve na boate. "Tem um protocolo específico desenvolvido pelo Ministério da Saúde, pela Força Nacional do SUS, para conduzir esses pacientes."

Voluntários. Moradores de Santa Maria também se mobilizaram para ajudar os parentes de vítimas que moram fora da cidade. O professor universitário Iuri Lammel, de 28 anos, ofereceu sua casa para abrigar famílias de feridos. "Minha casa está à disposição." Ele decidiu abrir sua residência, onde vive sozinha, após ver uma comunidade no Facebook incentivando a prática.

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