Grupo põe fogo em coletivo na zona leste

Motorista teve 16% do corpo queimado, após ser impedido de sair do veículo; motivação seria confronto com a PM

MÔNICA REOLOM, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2013 | 02h06

Um motorista teve 16% do corpo queimado após o ônibus que dirigia ser incendiado na noite de terça-feira, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Segundo o cobrador do coletivo e os moradores, o incêndio foi uma retaliação à morte de um jovem de 18 anos, Matheus de Oliveira Mota, baleado em confronto com a Polícia Militar na noite se segunda-feira.

Por volta das 19h30, moradores da região se reuniram para protestar contra a morte de Mota. Uma caçamba foi colocada na Estrada D. João Néri para bloquear a passagem de carros. Pouco depois das 20h, na altura do número 2209, um ônibus foi obrigado a frear antes do ponto por causa do bloqueio. Segundo o cobrador, Ademir Monfredini, de 58 anos, 15 homens entraram no veículo e exigiram que os passageiros descessem, sob ameaça de serem queimados vivos. "Os jovens, entre 17 e 20 anos, entraram no ônibus e disseram que estavam ali porque a PM matou um menino no dia 1° de abril", afirmou.

Além de roubarem o celular do cobrador e o dinheiro do caixa, os homens teria impedido a saída dele e do motorista, Dimas de Almeida Laura, de 52 anos. Monfredini ainda afirmou que um segundo ônibus foi incendiado a cerca de 600 metros da ação, mas ninguém ficou ferido.

O cobrador sofreu queimaduras leves no pescoço, nos braços e na cabeça. Já Laura teve queimaduras de 2° e 3° grau no tronco e membros superiores e permanecia internado em estado estável até a noite de ontem.

Resposta

A Polícia Militar alega que, na segunda-feira, os policiais agiram em legítima defesa. De acordo com a corporação, dois PMs faziam patrulhamento de rotina na região do Itaim Paulista quando se depararam com um carro roubado. Na perseguição, ainda conforme a PM, um dos assaltantes sacou uma arma e atirou em direção aos policiais, atingindo o capacete de um deles. No revide, o outro policial acertou dois tiros no rapaz de 18 anos, que morreu. O segundo assaltante conseguiu fugir.

O caso está sendo investigado pelo 50° DP (Itaim Paulista). Ninguém havia sido identificado ou preso até a noite de ontem.

Ônibus incendiados. Atear fogo em coletivos se tornou uma forma de protesto quando a população quer chamar a atenção para assassinatos supostamente cometidos por policiais. O ato se tornou "famoso" quando, em resposta às violência praticada contra o Estado, o Primeiro Comando da Capital (PCC) incendiou e depredou 90 ônibus no estado de São Paulo na primeira série de ataques organizada, em maio de 2006. Em janeiro e fevereiro deste ano, uma série de ataques foi coordenada pelo Primeiro Grupo da Capital (PGC), em Florianópolis.

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