Grupo invade fábrica e rouba armamento em Ribeirão Pires

Bandidos entraram em centro de treinamento ao lado de indústria e levaram 12 fuzis e 40 pistolas

José Dacauaziliquá e Josmar Jozino, Jornal da Tarde

06 Março 2009 | 00h54

Uma quadrilha formada por cerca de 10 criminosos invadiu na quinta-feira, 5, à noite o Centro Tático de Treinamento (CTT), fabricante de armas de alta potência para treinamento de tiro, e parceira da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. Os bandidos estariam há três dias no mato. Cerca de 240 policiais em 85 viaturas fazem as buscas na região.   O bando portava pistolas e entrou na empresa pelos fundos do terreno, onde fica a CBC. Segundo a Polícia Militar, foram levados pelos menos 12 fuzis e 40 pistolas. Há suspeitas de que os criminosos pertençam ao Primeiro Comando da Capital (PCC).   O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, esteve no início da madrugada desta sexta-feira, 6, no no local. Marzagão criticou as condições de segurança e de armazenamento das armas. Ainda segundo ele, a responsabilidade sobre as condições de segurança dessas armas é do Exército.   Eram 20 horas quando parte da quadrilha entrou pelo matagal e rendeu o único vigia do CTT. Ele teve os pés e mãos amarrados com cordas e foi trancado numa sala durante uma hora e 35 minutos. Os criminosos foram às prateleiras e recolheram o armamento. A quadrilha colocou o arsenal numa Fiorino branca e fugiu às 21h35.   Uma testemunha avisou a Polícia Militar. PMs foram à empresa e libertaram o refém. Segundo o delegado-seccional de Santo André, Luiz Carlos do Santos, que também responde por Ribeirão Pires, os ladrões invadiram apenas o CTT. "Não chegaram a entrar na CBC. Ainda não temos o levantamento do que foi roubado. Mas posso garantir que os ladrões levaram armas de alta potência, como fuzis, para treinamento de tiros."   No site do centro de treinamento, o CTT afirma ser "um empreendimento único na América Latina por conjugar, numa parceria de excepcional eficiência, uma indústria de munições do porte da CBC a uma estrutura de ensino na área tático policial".   Fornecedor do PCC   Na zona leste de São Paulo, a Polícia Civil prendeu na quinta-feira José Ricardo Areas, 43 anos, acusado de fabricar armas para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Na casa dele, em São Miguel Paulista, foram apreendidas seis metralhadoras caseiras, inacabadas, uma metralhadora industrial de calibre 9mm e duas espingardas, além de munição para revólveres, pistolas e fuzis.   Policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 5ª Delegacia Seccional (Leste) chegaram ao endereço de Areas ao investigar um menor detido no 24º DP (Ermelino Matarazzo) com um fuzil e uma espingarda calibre 12 artesanal. Ele disse à polícia que as armas eram de dois homens conhecidos como Fabiano e Branco.   Segundo a polícia, o infrator afirmou ainda que esses dois homens eram integrantes do PCC e encomendavam as armas com Areas. O adolescente também revelou o endereço do armeiro. Às 18h, policiais do SIG, comandados pelo delegado-titular Marco Antonio Bernardino Santos, foram à casa do acusado. Ele responderá a processo por fabricar arma ilegal e também por posse e guarda de armamento de uso restrito.   Colaboraram Paulo Maciel, Daniela do Canto e Ricardo Valota, da Central de Notícias   Texto atualizado às 6h45 para acréscimo de informações

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