Reprodução/Facebook
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Grupo invade criadouro e leva chinchilas que virariam casacos

Ativistas da Frente de Libertação Animal resgataram cerca de cem animais; segundo o grupo, chinchilas estavam sofrendo pelo calor

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 18h54

Atualizada às 20h53

SÃO PAULO - Um grupo de ativistas invadiu, no domingo, um criadouro de chinchilas em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e levou cerca de cem animais cujas peles seriam usadas para fazer casacos e outros acessórios.

O caso foi registrado na página do Facebook da Frente de Libertação Animal (FLA) no mesmo dia. Segundo o grupo, que faz ativismo pelos direitos dos animais, a maioria das chinchilas estava sofrendo e morrendo, por causa do excesso de calor. Elas também portavam uma espécie de argola chumbada em volta do pescoço que as “enforcava muito”, diz o relato.

Os ativistas afirmam ter descoberto o descaso por meio de denúncias de maus-tratos na internet. “Fomos averiguar com os nossos olhos e, chegando lá, decidimos que só sairíamos após libertarmos todas as chinchilas”, diz o post no Facebook.


O criadouro se chama Master Chinchila e tem como um dos donos o argentino Carlos Perez, de 70 anos, que também é presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Chinchila Lanígera (Achila). O site da associação estava fora do ar nesta quarta-feira. Ninguém atendeu nos telefones da Master Chinchila. Perez também não foi localizado pela reportagem.

A FLA disse que o local “parecia um verdadeiro inferno”. Os animais resgatados receberam todos os cuidados necessários e passam bem. O grupo não divulgou para onde as chinchilas seriam levadas.

Para se ter uma ideia, um casaco na altura dos joelhos consome pele de 200 chinchilas, em média, conforme Perez já declarou - e pode custar R$ 70 mil. Já o valor de uma pele é de U$S 60, em média.

Projeto de Lei. A Assembleia estadual aprovou, no dia 17 de setembro, o projeto de lei (PL) 616, de autoria do deputado Feliciano Filho (PEN), que proíbe no Estado a criação e a manutenção de animais com finalidade exclusiva para extração de peles. No dia 12 de outubro, Carlos Perez afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que “30 mil chinchilas vão morrer por causa dessa lei” e que, se o projeto for aprovado, “acabou” para os criadores. O projeto depende da sanção do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem até o dia 28 deste mês para aprová-lo ou vetá-lo.

O governo explicou, em nota, que o projeto de lei está sendo apreciado pelas áreas técnicas das secretarias da Casa Civil e Meio Ambiente.

A FLA afirma que decidiu agir por causa de denúncias encontradas na internet - e não em razão do projeto de lei. O grupo ressalta que “não acredita em petições, em PL, em lei” e “em nada que seja relacionado ao Estado opressor”. Os ativistas dizem que a ação direta é escolha deles.

Mercado. O Brasil é um dos maiores produtores e o segundo maior exportador de peles de chinchila do mundo, atrás apenas da Argentina, conforme a Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda). O responsável pela introdução da atividade no País foi o próprio Perez, que nasceu na Argentina em meio a uma criação familiar de chinchilas. A maior parte da produção vai para a China.

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