Grupo de sem-teto vive em mansão de R$ 3 mi

Moradores de rua invadiram casarão de antiga boate no Jardim Europa

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2011 | 00h00

Um grupo de sem-teto está morando em um prédio de R$ 3 milhões no Jardim Europa, uma das áreas mais nobres de São Paulo. É a casa rosa no número 5.836 da Avenida 9 de Julho, onde funcionava a antiga boate Romanza, interditada quatro vezes pela Prefeitura - a definitiva em outubro de 2009.

Destoando das mansões e edifícios luxuosos em volta, a fachada, as portas e as janelas estão cheias de tapumes, a maioria deles pichados ou grafitados. Por dentro, o mau cheiro e a sujeira tomam conta dos três andares semidestruídos, "adaptados" pelos novos moradores para servir de casa. No térreo existe até uma cama, e há instalações improvisadas de banheiro e cozinha. O piso do meio é o mais conservado e mantém intacto o granito preto que servia de pista de dança.

O lugar fica vazio durante o dia e é ocupado à noite. Segundo a vizinhança, um grupo de moradores de rua começou a frequentar o casarão há cerca de quatro meses. Três dos quatro homens que dormiam lá diariamente foram embora e as testemunhas afirmam que uma família inteira agora mora ali. O Estado flagrou dois rapazes deixando a casa no começo da tarde de ontem.

Procurado, o proprietário não foi localizado. Segundo os vizinhos, o prédio é um "mico" em pleno Jardim Europa: o estigma da boate e a impossibilidade de abrir um empreendimento comercial ali por causa do zoneamento já fizeram muitos desistirem de comprá-lo ou alugá-lo, apesar de estar disponível em imobiliárias da região. O aluguel do imóvel, que tem 545 metros quadrados de área construída em um terreno de 325 m², é de R$ 32 mil.

Interdições. O número 5.836 não foi o único endereço da Romanza, que, segundo a Prefeitura, não tinha alvará de funcionamento, infringia a lei de zoneamento e servia como casa de prostituição. Após a primeira interdição, em 2005, a boate foi transferida para outro número da mesma avenida, que foi interditado duas vezes. Houve uma nova mudança, para a Rua dos Pinheiros, e outro emparedamento por falta de licença.

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