SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Grupo de sem-teto ocupa prédio na Oscar Freire

Vizinhos acionaram a PM, mas as 30 famílias já haviam invadido o edifício de quatro andares, vazio desde 2007; sem-teto colocaram faixas nas sacadas e também montaram barracas

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 03h00

Trinta famílias de sem-teto, a maior parte de haitianos associados ao movimento União dos Sem-Teto (UST), ocuparam na madrugada desta terça-feira, 10, um prédio de quatro andares na esquina das Ruas Peixoto Gomide e Oscar Freire, nos Jardins, zona sul de São Paulo. O edifício estava vazio desde outubro de 2007, quando a Justiça interditou o local por falta de segurança. Na época, a decisão embasou a remoção de cerca de 20 pessoas que haviam transformado o local em cortiço. 

Moradores vizinhos do prédio acionaram a Polícia Militar na manhã desta terça, mas os sem-teto já haviam ocupado quase todos os 70 cômodos dos nove apartamentos do prédio art déco, de 1952. O representante de um proprietário de seis apartamentos do prédio foi ontem à tarde conversar com os sem-teto e avisou que um pedido de reintegração de posse seria solicitado na Justiça nesta quarta. Ele não quis conversar com a reportagem.

“Pode pedir o que quiser. Nós não vamos sair daqui. Esse lugar está há mais de 10 anos sem ninguém morando, perto do metrô. Temos esse direito”, avisou Joaquim de Oliveira, da União dos Sem-Teto (UST). Uma faixa do movimento foi estendida na frente do prédio. Na lateral do edifício, no térreo, também foram montadas barracas para famílias que não conseguiram quartos.


O prédio deixou de ser habitado em 2006, após o condomínio subir para R$ 6.900, segundo relataram vizinhos e amigos dos antigos moradores. O metro quadrado na região custa, em média, R$ 10 mil. Nesta quinta, a presença das famílias de sem-teto nas sacadas dos apartamentos, cantando e comendo em marmitas, causava espanto em quem passeava pelas lojas da Rua Oscar Freire.

“Eu moro na zona leste, longe, porque não tenho direito de morar aqui. Acho que as pessoas que moram aqui e pagam um IPTU alto merecem um pouco mais de consideração do poder público. É caro morar aqui, não é todo mundo que pode chegar e invadir as coisas”, disse o taxista Alberto Silva, de 51 anos, que trabalha em um ponto da Oscar Freire, ao lado da Frutaria São Paulo.

“Está uma bagunça danada desde terça-feira. E pior que o prédio está quase caindo, está perigoso para eles”, disse Vera Rodrigues, de 36 anos, moradora de um prédio vizinho.

Imbróglio. Dos nove apartamentos do prédio, seis são do empreendedor do setor imobiliário Marcelo Álvaro Moreira. Ele não foi localizado ontem pela reportagem. Em 2007, ele chegou a ser acusado pelos outros donos de apartamentos de incentivar a ocupação dos sem-teto. Isso teria sido feito após Moreira não conseguir arrecadar entre os donos de imóveis R$ 63 mil anuais para pagar uma empresa de segurança que fizesse a vigia do local.

Os sem-teto deixaram o prédio no final de 2007, após os bombeiros enviarem laudo à Justiça comunicando a precariedade das instalações e o risco de desabamento. Ontem, os coordenadores da UST não estavam preocupados com as rachaduras nas paredes laterais. “Meu barraco lá em Santo André também estava cheio de rachadura”, disse Fernando Jerônimo, de 47 anos, um dos sem-teto.

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