Clarice Cudischevitch/AE
Clarice Cudischevitch/AE

Grupo de manifestantes passa a noite em frente à sede do governo de SP

Continuação do protesto mantém uma parte da avenida Morumbi interditada, no sentido centro

Clarice Cudischevitch, O Estado de S. Paulo

18 Junho 2013 | 08h18

Texto atualizado às 11h38

SÃO PAULO - Mais de 18 horas após o inicio da manifestação contra o aumento das passagens, ao menos 20 manifestantes continuam em frente ao portão 2 do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Eles preparam uma pauta de sugestões para apresentar ao governador, abordando temas como saúde e educação. Para um funcionário do governo do Estado, que não quis se identificar, a persistência dos manifestantes não terá eficácia. "Não há nenhuma liderança de movimentos ou partidos políticos entre eles, e o governador não vai conversar com essas pessoas", afirma.

Parte da avenida Morumbi, sentido centro, está interditada. Agentes da CET fazem o controle do trânsito. Por precaução, a segurança do Palácio vai permitir a entrada de funcionários em todas as entradas do prédio. Houve reforço policial em todos os acessos da sede do governo. 

Alguns carros passam buzinando em apoio aos manifestantes. Eles aguardam a chegada de um novo grupo para que eles possam ir embora. Durante a madrugada, eles mantiveram contato com apoiadores por meio das redes sociais pedindo reforço de gente, água e comida. Por volta das 3h da manhã, um senhor de, aproximadamente, 50 anos trouxe esfirras para o grupo. Segundo os ativistas, ele é pai de uma jovem que foi presa no ano passado participando de manifestações e agora responde por formação de quadrilha.

"Não estou cansado. Vou participar da manifestação de hoje na Praça da Sé", afirma o ativista Jonathan Almeida. "Não é só pelo aumento da tarifa, mas também por melhorias no transporte, saúde e educação", completa Anderson Rocha, outro manifestante.

A entrada do Palácio dos Bandeirantes foi totalmente pichada e está com cartazes colados. Um deles traz a frase "Não foi o povo que quebrou a viatura", em referencia a um carro da polícia parado atrás do portão, com o vidro quebrado.

Sobre o confronto desta segunda, o grupo reconhece que a policia reagiu à ação de alguns vândalos, que eram minoria no protesto. Segundo eles, ninguém ficou ferido.

"A polícia disse ontem que cinco pessoas poderiam entrar no Palácio para conversar, mas respondemos que queríamos que um assessor viesse até o portão falar com todo mundo, e não veio ninguém", contou uma ativista. "Foi aí que tentaram invadir". Eles acreditaram que o convite poderia se tratar de uma "emboscada" para prender participantes.

Manifestações. Uma nova onda de protestos, maior do que as anteriores e com um leque de reivindicações mais amplo, voltou a tomar conta das ruas de importantes cidades, em diferentes regiões, nessa segunda-feira, 17. A maior, em São Paulo, reuniu cerca de 50 mil pessoas, segundo estimativa da PM. Foi a quinta na capital paulista e a primeira sem confrontos com a polícia. No final da noite desta segunda, um grupo minoritário tentou invadir o Palácio, mas foi repelido com bombas de gás. Em todo o País, a estimativa é que 230 mil pessoas foram às ruas protestar. As marchas foram caracterizadas sobretudo por expressões de rejeição da política institucional.

Sexto protesto. O Movimento Passe Livre (MPL) marcou para esta terça-feira, 18, às 17 horas, com concentração na Praça da Sé, a sexta manifestação pela redução da tarifa do transporte público em São Paulo. Até o fim da noite desta segunda, pouco mais de 80 mil pessoas já haviam confirmado participação no protesto.

 

 

 

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