Grupo de extermínio com PMs já matou 35

Crimes em Guarulhos não pouparam nem crianças e foram resposta a ataques do PCC

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2013 | 02h06

Atualizado às 8h00 

SÃO PAULO- Policiais militares são os principais suspeitos de ter montado um grupo de extermínio em Guarulhos que seria responsável por matar 35 pessoas e ferir outras 17 na cidade desde junho. A onda de crimes na cidade da Grande São Paulo começou no auge dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra a polícia.

Segundo investigações da Polícia Civil, homens do 31.º e do 44.º Batalhões da PM se uniram em uma vingança que atingiu criminosos, frequentadores de pontos de venda de drogas, vizinhos de bandidos e mesmo quem, por acidente, estava na hora e no lugar errados. Nem mesmo crianças escaparam.

A atuação do grupo responderia por 23 execuções do dia 23 de junho até agora. Nesses crimes, morreram 21% das vítimas de assassinatos da cidade.

Alguns dos principais indícios contra os acusados são vídeos que registraram a ação dos bandidos. Em um dos casos, em 26 de fevereiro, as imagens mostram um carro do 44.º Batalhão passar, às 20h59, pelo local onde o crime aconteceria. Após 8 minutos, os assassinos se aproximam em um Celta prata - mesmo veículo usado em outras execuções.

Os matadores estacionaram em uma rua perpendicular. Desceram três homens. As imagens mostram um deles, aparentemente de coturno e farda por baixo de uma capa de chuva, aproximando-se dos irmãos Vítor e Silas Albuquerque Santos. Os dois tomavam conta de um bar e foram mortos. A ação durou três minutos.

Enquanto matavam os irmãos, dois outros jovens apareceram na rua. Os matadores não queriam testemunhas: mataram um e só não executaram o outro porque a arma falhou. Depois, saíram calmos do local, entraram no carro e fugiram. Mais uma vez, às 21h17, outra viatura passou pelo lugar. Não parou nem sequer para socorrer as vítimas. Os investigadores da Delegacia de Homicídios verificaram pelos registros de GPS das viaturas do batalhão que quatro delas estavam na região do local do crime.

Aviso. Segundo policiais civis, os criminosos agiram de modo semelhante na maioria dos delitos. Por enquanto, nenhum acusado foi preso. Um dos casos aconteceu em 20 de novembro de 2012. Dois dias antes, um PM havia sido morto na área.

No dia 19, policiais passaram em um bar do bairro e surpreenderam moradores fazendo um churrasco. Os policiais questionaram se eles estavam comemorando a morte do PM e fizeram um advertência: era melhor fechar o lugar, ou então alguém de moto poderia passar ali e atirar em todo mundo. Como os donos do bar não ouviram o conselho, no dia seguinte criminosos em uma moto passaram pelo local e atiraram em todos que puderam. Quatro pessoas ficaram feridas e uma morreu.

 

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