Grupo de adolescentes faz arrastão dentro da USP

Menores de idade assaltaram sete universitários que jogavam handebol; criança que aparentava ter 8 anos comandava grupo

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2014 | 14h24

Atualizada às 21h26

SÃO PAULO - Um bando formado por dez menores de idade, pelo menos dois deles armados, invadiu uma quadra dentro da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital, e fez um arrastão, assaltando nove universitários que treinavam handebol, nesta quinta-feira, 2, segundo a polícia. Um dos líderes, segundo relato das vítimas, tinha aproximadamente 8 anos. 

O ataque na USP aconteceu por volta das 20h30. De acordo com os universitários assaltados e a polícia, os menores invadiram o local por buracos que separam a Cidade Universitária da comunidade San Remo.

A ação durou três minutos e o bando conseguiu fugir levando bolsas, mochilas, carteiras, seis telefones celulares, R$ 226 em dinheiro, além de cartões de banco e documentos. 

As vítimas afirmaram que o primeiro a surgir e anunciar o assalto foi a criança com cerca de 8 anos. “Ele começou a gritar, pediu para todo mundo sentar no chão”, afirmou Amanda Amorim, de 21 anos, estudante de Fisioterapia.

Depois, outros dois adolescentes, aparentando ter mais de 15 anos, apareceram armados. Um deles ficou do lado de fora da quadra, protegendo o restante do bando, enquanto o outro apontava a arma para os universitários. 

Amanda disse que a criança, além de fazer ameaças, também revistou e agrediu as vítimas. “Ele começou a bater em uma amiga minha com um tênis. Era um dos mais violentos do grupo e falava para os outros ‘meter bala’. Parecia ser o chefe.” 

Segundo ela, das nove vítimas, dois eram homens. Enquanto um dos adolescentes armados dominava os rapazes, a criança revistava as meninas. 

Entre os homens estava o estudante de Educação Física Artur Cavalheiro, de 23 anos, que ajuda a treinar o time de handebol do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito) da USP. Ele foi agredido com socos e pontapés. 

“Eu levei alguns segundos para entender que era para sentar no chão e fui derrubado por um deles. Fui chutado no chão, justamente no joelho que foi operado”, disse o jovem, que teve apenas ferimentos leves. O rapaz que bateu nele era um dos que estavam com a arma em punho. “Ele colocou o cano da arma entre os meus olhos.” 

O bando obrigou os universitários a sentar na arquibancada da quadra. “Sentada, eu era maior do que o mais novo”, contou Amanda. 

A universitária conseguiu esconder o aparelho celular e ligou para o 190 depois que o bando fugiu. A Polícia Militar apareceu cerca de 5 minutos depois. Homens do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil também foram para o local. Ninguém foi detido. 

Explosão de roubos. Reportagem publicada pelo Estado na quinta-feira revelou que houve um aumento de 220% nos roubos dentro da Cidade Universitária, entre janeiro e agosto deste ano, no comparativo com o mesmo período de 2010.

Segundo Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer, superintendente de Prevenção e Proteção Universitária da USP, a área por onde o grupo invadiu a universidade já tem reforço da guarda da USP, mas a quadra fica em um lugar “escondido”.

“É um espaço reservado. A ronda passa pelas ruas. O que pedimos a partir de agora é que avisem que a quadra será usada para a segurança passar pelo local”, disse. 

Segundo ela, a USP e a Prefeitura de São Paulo estudam formas de melhorar os acessos da comunidade San Remo para o câmpus. 

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