Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Grupo de 20 motoristas da Uber protesta em SP contra aplicativo

Colaboradores de startup dizem que redução na tarifa causa prejuízos; manifestantes dizem que 2 mil deixaram de atender

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

28 Março 2016 | 12h25

SÃO PAULO - Um grupo de 20 motoristas da Uber protestou na manhã desta segunda-feira, 28, em frente ao Estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital, reivindicando reajuste das tarifas pagas pela startup. Eles reclamam que a redução de 15% no preço das corridas aplicada pela empresa recentemente diminui os lucros deles. O aplicativo fica com 20% de cada corrida. Segundo Paulo Acras, um dos organizadores do ato, cerca de 2 mil deles desligaram os aplicativos e estão deixando de atender motoristas. Outros protestos acontecem em capitais do País que têm o serviço disponível.

Ao todo, são 10 mil colaboradores cadastrados no Brasil. A mobilização foi combinada por redes sociais e o total de colaboradores que não estão atendendo é uma estimativa feita pelos manifestantes a partir de confirmações de outros motoristas. Os prestadores de serviço da Uber não tem acesso ao total de aplicativos ligados ou desligados. 

O ato em frente ao estádio foi considerado simbólico, já que os colaboradores esperam causar mais impacto deixando de atender os chamados de passageiros. De acordo com Acras, a Uber não os recebe pessoalmente para dialogar. O motorista apresentou um estudo onde diz que o custo por quilômetro rodado é de uma média de R$ 1,48 por dia. Acras explica que a Uber paga R$ 1,04. 

O estudo apresentado por Acras leva em conta motoristas que trabalham com carros alugados e não próprios, o que aumenta o custo dos colaboradores. "Se a Uber diz que a gente ganha dinheiro é mentira. No dia que eu mais lucrei trabalhei 16 horas", conta. Sobre a baixa adesão, ele explica que os motoristas têm medo de sofrer represálias da Uber. Alguns dos presentes esconderam as placas dos carros com jornais. Acras é economista e utiliza um automóvel alugado para trabalhar. 

Já Fernando Silva, de 44 anos, trabalha como motorista e liga o aplicativo da Uber ao final do expediente. Ele também reclama do valor pago pela startup. “Não compensa trabalhar com a Uber por esse preço. É ilusão para quem entra e ninguém aguenta trabalhar 20 horas por dia”, disse.

Procurada, a startup disse que com base em dados de mais de 400 cidades onde existe o aplicativo, a Uber analisou que diminuir a tarifa pode ser mais vantajoso do que aumentar o preço. A justificativa é de que os motoristas fazem “ainda mais viagens e continuam gerando tanta renda quanto antes, chegando até a ganhar a mais.” A empresa que explica ainda que “o aumento na demanda significa que os parceiros passam a fazer mais por hora e ficam menos tempo rodando” entre um chamado e outro. 

Haddad. Na tarde desta segunda-feira, 28, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a defender a posição da gestão, que propôs um modelo de regulamentação da Uber nos últimos dias de 2015 prevendo a venda de créditos por quilometragem para as empresas de transportes de passageiros. “A posição da Prefeitura é claríssima desde o primeiro dia: somos contra a liberalização e a proibição. Somos a favor da regulamentação”, destacou.

Haddad disse ainda que, da forma como funciona a multinacional norte-americana hoje, “é o pior dos mundos”. “Se não regulamentarmos, vamos perder uma grande oportunidade. Deixar o livre mercado é um erro para o transporte público. O livre mercado congestiona e empobrece a cidade”, afirmou. Segundo o prefeito, a regulamentação abrirá espaço para que taxistas e motoristas com tecnologias mais modernas possam trabalhar na capital.

“Por falta de regulamentação, até a Prefeitura está proibida pelo Judiciário de fiscalizar. Isso é ruim, a Prefeitura ficar com as mãos amarradas em função de uma liminar por falta de regulamentação”, disse.

O prefeito fez um apelo para os vereadores, solicitando a regulamentação do serviço “sem empobrecer o trabalhador, seja taxista ou motorista, e sem congestionar as vias desnecessariamente”.

Conforme revelado pelo Estado, Haddad se articula com a Câmara Municipal para aprovar um texto que regulamente a Uber na capital paulista. A expectativa da Prefeitura é que, até o fim de abril, o serviço esteja regulado. /COLABOROU JULIANA DIÓGENES

 

 

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