Grupo começou no improviso e já reúne 350 fãs todos os meses

Trio Improvisado faz noitada mensal de jazz na Barra Funda, zona oeste de São Paulo; assista ao vídeos da festa

Filipe Vilicic, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2009 | 00h01

Cerca de 600 pessoas esperam, todos os meses, por um e-mail com o assunto "Improvisado". É a seleta lista que é avisada da noitada mensal de jazz promovida pelo trio Improvisado, na Casa das Caldeiras, espaço de eventos na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. "Fico ansiosa aguardando a próxima festa", afirma a produtora cultural Vivian Schaeffer, de 31 anos, frequentadora assídua. "Sempre é uma balada agradável, intimista, com muitos amigos e música de primeiríssima qualidade. A melhor noite da cidade." Em cada edição, o Improvisado lota a sala em que se apresenta, no fundo da Casa das Caldeiras, com suas versões jazzísticas para músicas brasileiras. Sempre há também ao menos um convidado que acompanha o grupo na madrugada (normalmente, um cantor).

 

Improvisado #18 + Verônica Ferriani - Tristeza do Jeca

 

O Improvisado, como diz o nome, começou de improviso, de uma brincadeira entre amigos. Em 2006, o percussionista Pedro Ito retornou à cidade de São Paulo após uma temporada nos Estados Unidos, onde estudou e fez shows. Ao chegar, telefonou para o pianista Marcelo Castilha e para o contrabaixista Marcelo Cabral, com uma proposta: "Que tal fazer um som?" Encontraram-se em um estúdio no bairro de Perdizes e começaram a transformar, por diversão, música brasileira em jazz. No repertório, versões instrumentais de Procissão, de Gilberto Gil, e Canto de Iemanjá, de Baden Powell.

 

Improvisado #21 + Ricardo Teté - Rimas

 

Logo o lazer virou também trabalho: os músicos, que já tocavam ao lado de outros artistas, como a cantora Céu, passaram a se apresentar eventualmente em bares e casas de shows. "Mas ganhávamos pouco e o público, que era sempre levado por nós, só dava lucro para os donos dos espaços, comprando bebida e pagando a entrada", lembra Castilha. "Aí resolvi botar em prática uma ideia que já tinha há um tempo: promover uma festa própria e periódica para divulgar nosso trabalho. Assim, o dinheiro iria direto para nosso bolso."

 

Improvisado #28 + Dani Black - Vem (Dani Black)

 

Em junho de 2007 surgiu a balada do Improvisado, no mesmo local onde o trio ensaiava em Perdizes, na Rua Capital Federal. No início, era uma festinha entre amigos. Cerca de 30 pessoas, todas conhecidas dos músicos, batiam ponto nos shows. Diferentemente do esperado por Castilha, porém, o lucro não veio tão rápido. "Só dava despesa", diz o pianista. E a noite não tinha o mesmo perfil de balada que tem hoje: era mais uma happy hour, que começava às 20h e acabava às 22h30. "Levavam até crianças para nossa apresentação", recorda Ito. "Os pais curtiam a música enquanto os filhos brincavam."

 

Com o tempo, pela divulgação boca a boca, o público aumentou. "Até que, em uma festa, levamos 80 pessoas para lá, a casa ficou abarrotada e a vizinhança se incomodou", conta Castilho. "Tivemos de mudar de lugar." Há pouco mais de um ano o trio passou a fazer suas festas na Casa das Caldeiras. E veio o esperado lucro (cada integrante do trio ganha cerca de R$ 500 por festa). Nos 28 meses de baladas, 31 artistas convidados, como a cantora Marina de la Riva e o flautista francês Jean-Luc Thomas, se apresentaram no Improvisado. Nas noites - que costumam começar por volta das 21h e acabam lá pelas três da madrugada - ainda há exposições de artistas plásticos e de fotógrafos.

 

NOITADA

 

Hoje, cada show atrai até 350 pessoas, de faixa etária entre 30 e 40 anos. Um bar serve bebidas, lanches e doces. A próxima edição, de número 34, será amanhã, a partir das 20h30, na Casa das Caldeiras (Avenida Francisco Matarazzo, 2.000, Barra Funda; R$ 10). A cantora e violinista baiana Marcia Castro é a convidada da vez. Para acompanhar a agenda do trio, acesse o site http://www.improvisado.com.br.

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