Grupo anarquista reivindica ataques a agências bancárias em São José dos Campos

Supostos integrantes de movimento entraram em contato com jornal da cidade informando sobre o incêndio e reivindicando a autoria

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 17h19

SOROCABA - Um grupo que se autodenomina Movimento Insurgente Anarquista (MIA) reivindica a autoria de dois atentados contra agências bancárias em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. O último ataque ocorreu no último dia 13, um domingo, à noite, quando um incêndio atingiu quatro caixas eletrônicos de uma agência do banco Itaú, no centro da cidade. O fogo danificou os equipamentos e derrubou parte do teto da agência, mas nada foi roubado.

Supostos integrantes do MIA entraram em contato com um jornal da cidade informando sobre o incêndio no Itaú e reivindicando a autoria. A polícia apreendeu um panfleto deixado na agência. O texto informa sobre o grupo e termina com ameaças: "Façamos das bombas e sabotagens nossa única voz contra as injustiças que nos assola (sic). Tomaremos de assalto o banquete da burguesia."

O grupo indicou um endereço na internet no qual há um manifesto em que o MIA promete continuar a "incendiar e sabotar tudo aquilo que representa o sustentáculo da vossa fortaleza, erguida sob sangue e suor alheio". O ataque anterior teria sido a uma agência do Bradesco, com a motivação de queimar "um dos inúmeros templos do capital". A Polícia Civil, no entanto, registrou o ataque a uma agência do Santander, em agosto, com o uso de coquetel molotov.

De acordo com a Delegacia Seccional de São José dos Campos, o perfil do grupo está sendo investigado, já que a polícia não tinha informações sobre ele. Peritos estão analisando as postagens feitas na internet e o panfleto deixado no local do incêndio. Ao mesmo tempo, seguem as investigações sobre a autoria do incêndio na agência do Itaú. Os elementos levantados até agora não permitem confirmar se o ato criminoso teve finalidades políticas ou foi mero vandalismo, já que nada foi roubado.

Até a tarde desta quinta-feira, 24, o manifesto do MIA continuava na internet, no site pastebin.com. Um dos trechos conclama outras pessoas a se inspirarem em suas ações. "Duas pessoas e alguns litros de gasolina podem impor à ordem social um caos que mil ou cem mil pessoas pacíficas e obedientes jamais fariam. Organizem-se em células autônomas do MIA ou qualquer outra insurgência revolucionária. Façam do fogo e da pólvora o vosso grito de guerra."

A polícia pediu informações sobre esse domínio na rede. Também está sendo analisada uma foto em que dois supostos integrantes aparecem ao lado da bandeira do MIA. O Itaú informou que colabora com a Polícia Civil para a apuração dos fatos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.