Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Grupo agride 2 homens na Paulista

Vítimas acreditam que ataque teve motivação homofóbica; este foi o sexto caso do tipo na região desde novembro do ano passado

Thaís Pinheiro, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

Dois arquitetos foram alvo de ataques a golpes com luminária de ferro na madrugada do último sábado na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta, região central de São Paulo. A polícia vai investigar se o crime teve motivação preconceituosa, praticado por grupos homofóbicos que já protagonizaram casos similares de violência na área nos últimos meses.

As agressões ocorreram pouco antes das 5h, quando os arquitetos Bruno Chiarioni Thomé, de 33 anos, e Rafael Ramos, de 30, caminhavam pela Rua Augusta em direção à Paulista após deixar uma casa noturna. Eles foram tacados perto da Estação Consolação do Metrô. "A primeira coisa que senti foi uma pedrada, ou uma garrafada. Vimos um grupo de seis pessoas do outro lado da rua e fomos perguntar o que estava acontecendo. Aí eles já começaram a nos bater", diz Thomé, com sete pontos na cabeça e um dedo da mão quebrado.

Com uma luminária de ferro, os agressores deram início à agressão que, segundo Thomé, teria sido provocada por homofobia. "Certamente eles acharam que eu e meu amigo éramos um casal, porque quando chegamos já falavam "sai daqui, seu veadinho" e outras coisas desse tipo. Não somos gays e não tenho nada contra homossexuais, pelo contrário. Isso tudo está se tornando um absurdo", argumenta.

A dupla diz que nada foi roubado e que não observou características físicas marcantes no grupo, que conseguiu fugir pelo metrô. Os arquitetos foram socorridos por seguranças da companhia.

"Eles (vigias) não seguraram os agressores quando entraram na estação. Depois, me levaram para o Hospital das Clínicas, onde são atendidos casos mais graves. Fiquei até as 9h30 sem atendimento, quando resolvi ir para um hospital particular."

A ocorrência foi registrada no 8.º DP (Belenzinho) para que a polícia identifique os agressores. A reportagem não conseguiu contato com um responsável do Metrô na noite de ontem.

"O Metrô não libera as imagens se não houver um pedido da Justiça. Queremos descobrir quem são esses caras, isso não pode ficar assim. Vou continuar frequentando a região e não é por isso que vou deixar de levar a vida normalmente", diz Thomé.

Com o caso deste fim de semana, já são pelo menos seis ataques com suspeitas de motivação homofóbica na região da Avenida Paulista desde novembro de 2010, quando cinco adolescentes agrediram três pessoas na avenida. No ataque, foi usada uma luminária do tipo bastão.

Em dezembro, houve outros três casos, um deles de dois gays espancados ao sair de uma boate. No mesmo mês, uma mulher de 25 anos apanhou após beijar amiga e, no outro caso, câmeras de segurança flagraram um homem com soco inglês agredindo dois homossexuais. Em janeiro, um estudante de 27 anos levou uma garrafada no olho direito. /COLABOROU CIDA ALVES

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