Grooving começa a ser feito na pista principal de Congonhas

Trabalhos devem demorar 20 dias e serão feitos de noite para não atrapalhar operações da pista auxiliar

Tânia Monteiro, do Estadão,

25 de julho de 2007 | 08h26

Os trabalhos para implementação do grooving na pista principal do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, começaram a ser feitos por volta das 23h30 de terça-feira, 24. Segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária )(Infraero), para fazer as ranhuras transversais, uma máquina semelhante a um pequeno trator foi usada. O objetivo dessas ranhuras é evitar o acúmulo de água na pista em dias de chuva, de forma a aumentar o atrito entre pneus de aviões e o asfalto.   A Infraero informou, na terça-feira, 24, que as obras devem demorar cerca de 20 dias, porque uma força-tarefa vai ser empregada para executar o serviço. Normalmente, segundo a Infraero, seria necessário o dobro do tempo. O trabalho será feito durante a noite para não atrapalhar as operações na pista auxiliar de Congonhas.   A chuva constante em São Paulo nos últimos dias não impedirá o serviço, segundo a Infraero. As obras serão feitas, primeiramente, na cabeceira das pistas. Na terça, como o aeroporto ficou fechado, ranhuras foram incrustadas no meio da pista. Ainda se investiga a hipótese de a ausência de grooving em Congonhas ter contribuído para o acidente com o avião da TAM que fazia o vôo 3054 e deixou 199 vítimas.   Paralelamente, a estatal executa reparos na pista principal. Eles são necessários porque a Polícia Federal retirou 14 blocos de 20 centímetros de largura da pista para analisar aderência no momento do acidente. Ao contrário das ranhuras, o trabalho de recuperação não pode ser feito sob chuva forte.   Técnicos da Infraero puseram uma barreira de concreto perto da cabeceira, onde houve deslizamento de terra, na segunda-feira, 23. A canaleta que escoa água da pista quebrou no dia do acidente. "O local já está coberto com lona e a barreira vai evitar que a água da pista vá para o barranco", disse o superintendente da regional da Infraero, Edgard Brandão Júnior.   Novo sistema   O diretor do Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea), brigadeiro Ramon Cardoso, anunciou que os Aeroportos de Guarulhos, Curitiba, Rio e Porto Alegre vão ser equipados com o ILS3 (Instrument Landing System, em inglês). Esse sistema de aproximação por instrumentos, que não existe em nenhum aeroporto do País, permite pousos em situações de visibilidade quase nula, como chuva forte e nevoeiro. Cardoso disse que nevoeiros e chuvas são os principais problemas hoje.   Congonhas usa o ILS1 - em que o piloto assume o pouso manual quando o avião atinge 60 metros de altura -, mas não tem condição de receber aparelhos mais potentes. Guarulhos opera com o ILS2 (pouso manual a partir de 30 metros) e deve ser um dos primeiros a receber o ILS3 - cada um custa US$ 2 milhões.   (Colaboraram Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde, e Camilla Rigi, do Estadão.)

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