Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Gringos e brasileiros vivem amor de Copa

Casais formados no Mundial já viajam juntos, trocam e-mails e fazem planos de reencontro; especialista diz que sentimento fica intenso

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2014 | 17h53

Atualizado às 08h25 do dia 7/7/2014

SÃO PAULO - Quase dez mil quilômetros de distância vão separá-los nesta semana, mas a paulistana Lorena Vasconcellos, de 23 anos, e o holandês Tim Soesbergen, de 27, aproveitam de forma intensa os últimos dias juntos. “Eu estou apaixonado, e acho que nunca me senti assim”, afirma o gringo. E ela, que não estava muito animada para a Copa do Mundo do Brasil, encontrou um romance inusitado. O casal, como tantos outros que se juntaram pelo País, forma o que se pode chamar de “amor de Copa”.

Foi no dia 17 do mês passado, depois do jogo entre Brasil e México, que eles se conheceram na Vila Madalena, bairro boêmio da capital paulista, que virou o ponto de encontro das torcidas. Tímido, Soesbergen, que trabalha como motorista na Holanda, não teve coragem de abordar a designer de moda no bar onde estavam e teve de receber a ajuda de uma amiga brasileira. “Não conseguia tirar os olhos dela”, conta o holandês. A noite só terminou com a troca de telefone, e os dias seguintes compensaram.

Parque do Ibirapuera e bares de Higienópolis foram alguns dos palcos escolhidos pelo casal para se conhecerem cada vez mais. “No primeiro dia, conversamos horas sobre as diferenças culturais. Eu não pude evitar, eu o achei muito interessante”, diz Lorena. 

A partir daí, os dois não se desgrudaram mais. Foram juntos para o Rio e para Bambuí, em Minas, onde um grande amigo de Soesbergen, também da Holanda, se casou com uma brasileira. “Me sinto um sortudo e não quero ir embora”, diz o jovem. Lorena conta que já tem planos para ir à Holanda em dezembro. “Eu gosto muito dele. Nós nos damos muito bem. Não esperava viver isso.”

Tudo pode dar certo. E não é só Lorena e Soesbergn que vão ter lembranças amorosas da Copa. Em terras cariocas, um outro casal formado durante o Mundial também aproveitou intensamente duas semanas em Copacabana, zona sul do Rio. O bairro foi o cenário do romance entre a estudante de Direito Clara Gallo, de 19 anos, e o bósnio Ado Korda, de 24, que também se conheceram em um bar. 

Korda já voltou para a Suécia, onde mora e trabalha com contabilidade, mas os dois mantêm contato pela internet. “Clara é inteligente e interessante, uma pessoa muito boa de conversar. Além disso, é divertida. Se eu voltar ao Rio, eu voltarei a vê-la”, diz Korda. “Tudo pode acontecer. Acho que ainda devo encontrá-lo, porque o mundo é muito pequeno”, afirma Clara.

E o “tudo pode acontecer” também virou o lema do publicitário paranaense Egon Lugo, de 24 anos. Anteontem, ele foi para o Rio para encontrar a australiana Alicia que conheceu em Curitiba há algumas semanas. Ela está fazendo um mochilão com amigos pelo Brasil durante a Copa e os dois se conheceram na Praça da Espanha, que virou um ponto de encontro após os jogos em Curitiba.

Depois de se beijarem, Alicia teve de sair correndo para encontrar seus amigos e o casal não conseguiu trocar os números de telefone. No dia seguinte, entretanto, Lugo conseguiu lembrar o nome do hostel em que ela estava e deixou um bilhete com seus contatos. Resultado: Alicia mandou mensagem no Facebook e eles se encontraram antes de ela partir. 

“Ela disse que ia para o Rio e me chamou. ‘Por que não?’ eu pensei. Vou pegar o avião daqui a pouco”, disse em entrevista por telefone anteontem de manhã. Sobre o futuro, ele brinca: “Eu já tinha muita vontade de conhecer a Austrália, agora ainda mais”, disse Lugo, claramente derretido.

Segundo a doutora em Psicologia Blenda Oliveira, especialista em relacionamentos, em situações como essas, quando o casal tem a perspectiva de que vai se separar logo, a relação fica mais intensa. Ela afirma, entretanto, que um relacionamento a distância pode, sim, ser saudável. “Se as pessoas acharem um equilíbrio, é saudável, mas é limitado. Chega a um momento em que alguém terá de se deslocar para que eles tenham um projeto a dois.” Não há como saber se os casais formados na Copa vão vencer os oceanos, mas não há dúvidas de que a torcida pelo amor é grande e veste o uniforme de todas as seleções./COLABOROU CECILIA CUSSIOLI

Mais conteúdo sobre:
vila madalenaSão PauloRomance

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.