Grevistas ameaçam motorista que levava combustível para a polícia

‘Mandaram voltar para a base ou iriam queimar meu caminhão’, disse caminhoneiro abordado na Raposo Tavares

Artur Rodrigues - O Estado de S. Paulo,

06 de março de 2012 | 23h05

SÃO PAULO - Grevistas impediram motoristas de caminhões-tanque de trabalhar na capital paulista na manhã de ontem. Por isso, além das escoltas, a PM também reforçou a segurança nos centros de distribuição de combustíveis na cidade e na Grande São Paulo.

O motorista Gilvan Brandão, de 41 anos, por exemplo, conta que um grupo ameaçou queimar seu caminhão quando ele levava combustível para a polícia, na zona norte.

Segundo Brandão, a abordagem foi feita por três homens, em meio a um congestionamento na Rodovia Raposo Tavares. "Disseram: ‘Você é louco, está furando greve! Vai voltar agora com esse caminhão para a base ou a gente vai colocar fogo nele’." Ele afirma que obedeceu a ordem e voltou para o centro de distribuição, em Barueri, na Região Metropolitana.

No início da tarde de ontem, com a presença de PMs, o clima era de calma no local. Grevistas jogavam baralho enquanto esperavam alguma nova decisão por parte do sindicato da categoria.

Lucro. Há 19 anos no ramo, o caminhoneiro autônomo Antônio Lopes, de 57 anos, aderiu à paralisação. Ele afirma que a restrição diminui o número de viagens diárias. "Com essa proibição, só conseguimos fazer uma viagem por dia." Segundo ele, antes da proibição, eram duas.

As alternativas à Marginal do Tietê para chegar à zona sul, segundo Lopes, dobram a distância percorrida, o que diminui ainda mais o lucro. Os motoristas recebem, em média, R$ 160 por frete. "Estamos abastecendo os postos da cidade, não estamos de passagem só para aumentar o congestionamento", afirma Lopes.

O caminhoneiro Everaldo Ribeiro, de 70 anos, reclama das demais restrições aos caminhões, como a da Marginal do Pinheiros e outras regiões da zona sul. "Agora, em todo lugar tem proibição para caminhão. Nós não somos os culpados pelo trânsito", disse.

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