Grevista recebe pelo dia sem trabalhar

Pagamento faz parte de acordo para pôr fim à paralisação; Metrô pede aumento de multa por descumprimento de ordem judicial

O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2012 | 03h06

O Metrô não vai descontar o dia parado dos grevistas. O compromisso foi firmado na audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Os metroviários ainda pediram que a Justiça reconsidere a multa de R$ 100 mil, por descumprimento da ordem de manter 100% da operação nos horários de pico e 85% nos demais horários. O valor foi estabelecido em liminar pela desembargadora Anélia Li Chun, vice-presidente do TRT da 2.ª Região.

Ontem, a audiência que colocou fim à greve, presidida pela mesma desembargadora, foi interrompida duas vezes. Atendendo a proposta do sindicato dos engenheiros do Metrô, que também estava na mesa de negociação, a desembargadora sugeriu que o Metrô aceitasse 6,45% de aumento total para as categorias. A suspensão ocorreu para que o advogado Nelson Mannrich, do Metrô, levasse a proposta ao governo. Ao retornar, apresentou a proposta de 6,17%.

"Desse jeito, vocês não querem terminar a greve", disse a desembargadora. "A diferença é muito baixa", completou.

A discussão seguiu com os negociadores do Metrô dizendo que aquela era a proposta final, "o máximo possível de aumento" - e tudo pareceu levar à continuação da greve. "Se essa proposta for aceita, é o pacote fechado (tudo que já havia sido negociado até ali, como índice de aumento nos benefícios como vales transporte e alimentação) e nada mais", afirmou Mannrich. "Então vamos tomar um café", disse a desembargadora Li Chun, parando a negociação de novo.

Nem Metrô nem metroviários chegaram a se levantar na segunda vez. "Não é a proposta que achamos que atende a nossas reivindicações. Mas podemos levar à assembleia", disse o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior - isso quase às 15 horas. Mas era o sinal de que a greve não chegaria à noite.

Multa. A Justiça ainda não se manifestou sobre a revisão da multa pedida pelos sindicalistas e também não se manifestou sobre o pedido feito pelo Metrô, que quer, além da manutenção da multa, que o valor da cobrança passe para R$ 1 milhão e que a cobrança seja imediata.

As Promotorias de Justiça do Consumidor, de Habitação e Urbanismo, e do Patrimônio Público e Social instauraram inquérito civil para apurar as responsabilidades dos sindicatos dos metroviários e dos ferroviários.

Os promotores consideram que houve descumprimento de decisão judicial. / BRUNO RIBEIRO

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