Greves de metroviários e marronzinhos afetam mobilidade nesta 5ª

Paralisações atingem a cidade de São Paulo e provocam superlotação de ônibus

Laura Maia de Castro, Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2014 | 08h59

SÃO PAULO - A quinta-feira, 5, começou com duas greves que afetam a mobilidade na capital paulista: os metroviários e os agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), também conhecido como marronzinhos. Ambas as paralisações foram aprovadas, na véspera, por tempo indeterminado.

Pela manhã, houve confusão e quebra-quera na Estação Corinthians-Itaquera, na zona leste, vizinha do estádio que receberá a abertura da Copa do Mundo de futebol.

Por volta das 7h, passageiros quebraram as grades que dão acesso à estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Eles tentaram bloquear a passagem de trens pulando nos trilhos e, por isso, as composições não pararam na estação por alguns minutos.  "Tem que quebrar mesmo, senão não resolve nada", disse um dos passageiros, que preferiu não se identificar. Foi possível ouvir gritos de ordem dos que invadiram a estação: "o povo unido jamais sera vencido" e "queremos trabalhar!"

Logo em seguida, porém, seguranças retiraram os passageiros da via férrea e a Estação Corinthians-Itaquera da CPTM abriu duas catracas da CPTM para passageiros, às 7h38. Os trens da Linha 11-Coral (em parte da qual funciona o Expresso Leste) voltaram a fazer paradas nesta estação.

Em entrevista à Radio Estadão, o gerente operacional da CPTM, Sérgio Carvalho Jr, disse que a companhia estendeu a operação usada em horários de pico até a hora do almoço, com 100% da frota disponível para os usuários. Passageiros também devem procurar alternativa às conexões entre trens e metrô, que estão fechadas. 

Acordado desde às 4h, o prensista Marco Ribas, 55, não sabia da paralisação do metrô.  "Vi ontem na televisão que o governo tinha entrado em acordo e não ia ter greve", disse. Todos os dias, Ribas parte de Guaianazes, com uma van, para fazer um trajeto de duas horas. Em Itaquera, vai de metrô até a estação Conceição,  onde caminha por meia hora a pé até a empresa de reciclagem, localizada na Avenida Água Funda. Curioso pela movimentação, o trabalhador ainda estava na Estação Itaquera por volta das 8h. "Hoje vou sair para tomar uma cerveja, já perdi o dia de trabalho", comenta. 

Na estação de metrô da Luz, a Linha 4-Amarela opera normalmente e a Linha 1-Azul parcialmente entre os trechos Luz-Ana Rosa. A movimentação estava tranquila por volta das 8h20 no acesso ao metrô que fica na Avenida Cásper Líbero e, segundo funcionários, não houve incidentes. "Os trens estão até mais vazios que em dias normais", disse Zenilda Barbosa de 32 anos. Ela trabalha com contabilidade e costuma utilizar a Linha 4-Amarela neste mesmo horário todos os dias.

Na Estação Palmeiras-Barra Funda, a CPTM funcionava normalmente, mas o metrô seguia completamente parado. A diarista Sônia Siqueira, de 56 anos, disse que iria voltar para casa na zona norte porque não conseguiu chegar no Belém, na zona leste, a tempo do trabalho. "Essas situações estão acabando com a minha saúde.  Uma hora vou ao ponto e não tem ônibus,  no outro dia não tem metrô. Assim fica difícil". Segundo Sônia ela ainda não tinha conseguido avisar a patroa. "Vou ter de voltar para casa para pegar dinheiro e por crédito no celular porque ela não aceita ligações a cobrar", explica.

À Radio Estadão, o presidente do Metrô, Luiz Antonio Pacheco, afirma que a proposta do Metrô inclui benefícios, como desoneração do vale-refeição, que compensam o índice salarial maior. Uma audiência de conciliação deve acontecer às 15 horas desta quinta-feira para colocar fim à greve.

Sé vazia. Diferentemente de um dia comum, as plataformas de embarque da Estação Sé, a principal do Metrô de São Paulo, estavam sem passageiros. A Linha 1-Azul funcionava somente entre as Estações Luz e Ana Rosa, já a 3-Vermelha, entre Bresser-Mooca e Santa Cecília. Os trens operavam com velocidade reduzida, e os vagões também estão vazios.

Às 9h15, era possível até viajar sentado. Na Estação Sé, não havia nenhum piquete nas catracas do Metrô nem funcionários grevistas, e, na falta de metroviários, os  trens eram operados por supervisores. 

A reportagem do Estado presenciou que alguns passageiros ficaram surpresos ao ver que os trens funcionavam nesses trechos. /COLABOROU WILLIAM CASTANHO

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