FELIPE RAU/ESTADÃO
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Greve de motoristas de ônibus de SP acaba após acordo entre trabalhadores e empresas

Conforme SPTrans, atendimento nas linhas paralisadas está sendo retomado de forma gradativa e deverá se normalizar até o fim do dia; paralisação, que teve início nesta madrugada, afetou ao menos 713 linhas e 6,5 mil ônibus

Ítalo Lo Re e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2022 | 16h54
Atualizado 14 de junho de 2022 | 19h27

SÃO PAULO – A greve de ônibus chegou ao fim na cidade de São Paulo. A paralisação de linhas municipais foi encerrada às 15h20 desta terça-feira, 14, após acordo entre as partes, segundo informou a Prefeitura. O sindicato patronal, representado pela SPUrbanuss, acatou a reinvidicação do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), entidade à frente de motoristas e cobradores.

Conforme a SPTrans, o atendimento nas linhas paralisadas está sendo retomado de forma gradativa e deverá se normalizar até o fim do dia. A SPTrans monitora o retorno da frota da cidade para minimizar os impactos na população. A paralisação, que teve início nesta madrugada, afetou ao menos 713 linhas (de quase 1,2 mil linhas diurnas) e 6,5 mil ônibus (de cerca de 13,5 mil), que transportariam 1,5 milhão de passageiros no pico desta manhã.

A SPUrbanuss, entidade que representa os empresários do setor, informou que o acordo se deu após parecer do Ministério Público do Trabalho, que teria considerado a greve legal e também a reivindicação do pagamento do reajuste de 12,47% contado a partir de maio. A reportagem solicitou acesso ao documento, mas ainda não foi atendido pelo MPT.

"Foi cruzando os braços que os condutores de São Paulo conseguiram mostrar a importância da categoria para o funcionamento da maior cidade do País", disse, em nota, o Sindmotoristas. De acordo com a entidade, a paralisação, que durou cerca de 15h, foi suspensa, mas "outras reivindicações seguirão em negociação".

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que ainda vai estudar se o repasse financeiro para que as empresas banquem o aumento das categorias virá de maior subsídio do Município ao setor ou de aumento da tarifa, hoje em R$ 4,40. "Vai depender da quantidade de passageiros. Se entra bastante passageiro, aumenta a receita e diminui a diferença para dar o subsídio", afirmou ao Estadão.  

Em 2021, o subsídio no transporte público custou aos cofres do município R$ 3,44 bilhões. Apesar da alta da inflação no último ano, a gestão Nunes optou por manter o preço da passagem de ônibus congelado, na expectativa de que fosse aprovado no Congresso socorro financeiro do governo federal às prefeituras, o que não ocorreu.

"Vai depender também da votação desse projeto do ICMS, se vai reduzir [o preço] do diesel na bomba. Tem muitas variantes nesse processo. O esforço da Prefeitura é de que não tenha aumento da tarifa. Esse é o maior esforço que a gente vai fazer. Evidentemente, vou ver até onde vou conseguir levar isso, mas deve ser comportado pelo subsídio. O que eu não tenho agora é o número que representa tudo isso, porque está mudando muito", acrescentou Nunes. 

Em geral, reajustes da tarifa municipal de ônibus da capital costumam vir acompanhados do anúncio do aumento das passagens de metrô e CPTM no Estado. Mas o governador Rodrigo Garcia (PSDB), que tem ficado próximo de Ricardo Nunes, é candidato à reeleição. 

Desde o fim do ano passado, a Prefeitura tem encaminhado aumentos para categorias do funcionalismo municipal. Em dezembro, foi aprovado projeto de lei que aumentou os salários de cargos comissionados - funcionários indicados pelos gestores, sem passar por concurso público - e servidores de nível básico e médio. Neste mês, foi aprovado reajuste para os guardas-civis. 

Negociações entre sindicatos começaram em março

As negociações da campanha salarial dos condutores de São Paulo começaram em março, com diversas reuniões com o setor patronal. O pedido de 12,47% de reajuste salarial, referente ao índice do INPC/IBGE, foi aceito pelo sindicato patronal, mas só a partir de outubro – para não deflagrar a greve, o Sindmotoristas exigia que a proposta pagasse a data-base de 1º de maio.

Com o anúncio da paralisação de 24h, já que não houve acordo em um primeiro momento, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) determinou "a garantia da circulação de 80% do efetivo durante horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h) e de 60% nos demais períodos". Em caso de descumprimento, a multa diária prevista era de R$ 50 mil.

"Não houve a manutenção, no período da manhã, dos 80% da frota necessária, conforme foi decidido pela Justiça trabalhista. E agora, na hora do entrepico, os 60% também não foram mantidos", disse ao Estadão o secretário executivo de Transporte e Mobilidade Urbana, Gilmar Pereira Miranda. 

A SPUrbanuss informou que a operação dos ônibus começou a ser retomada. Já a Prefeitura divulgou uma atualização com os status das empresas:

Relação de empresas cuja frota está circulando gradativamente:

- Express (Zona Leste);

- Via Sudeste (Zona Sudeste);

- Gatusa (Zona Sul);

Relação de empresas com a operação paralisada em suas garagens:

- Santa Brígida (Zona Norte);

- Gato Preto (Zona Norte);

- Sambaíba (Zona Norte);

- Viação Metrópole (Zona Leste);

- Ambiental (Zona Leste);

- Campo Belo (Zona Sul);

- Viação Grajaú (Zona Sul);

- KBPX (Zona Sul);

- MobiBrasil (Zona Sul);

- Viação Metrópole (Zona Sul);

- Transppass (Zona Oeste); e

- Gato Preto (Zona Oeste).

Relação das empresas operando normalmente - Grupo Local de Distribuição:

- Norte Buss (Zona Norte)

- Spencer (Zona Norte)

- Transunião (Zona Leste)

- UPBUS (Zona Leste)

- Pêssego (Zona Leste)

- Allibus (Zona Leste)

- Transunião (Zona Sudeste)

- MoveBuss (Zona Leste)

- A2 Transportes (Zona Sul)

- Transwolff (Zona Sul)

- Transcap (Zona Oeste)

- Alfa Rodobus (Zona Oeste)

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