Greve foi política, diz presidente de sindicato

Para José Valdevan de Jesus Santos, o Noventa, que ganhou eleição em 2013, grupo quer causar ‘desgaste’ da atual gestão do Sindmotoristas

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

20 Maio 2014 | 22h31

SÃO PAULO - O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), José Valdevan de Jesus Santos, conhecido como Noventa, afirmou nesta terça-feira, 20, que a paralisação foi política. Ele disse que o movimento começou de forma isolada, com funcionários da Empresa Santa Brígida, e se alastrou pela cidade.

"Acredito que há algo por trás, que há um jogo para causar o desgaste da direção do sindicato e do presidente. Tem alguém que está comandando isso", afirmou Noventa. Integrantes da atual diretoria são ou já foram funcionários da empresa. Entre eles, está Edivaldo Santiago da Silva, ex-presidente do Sindmotoristas e atual secretário de Finanças do sindicato.

"Queria entender isso que a Santa Brígida está fazendo, principalmente por ser uma garagem que tem cinco diretores do sindicato", afirmou Noventa.

No ano passado, Silva esteve ao lado do atual presidente. Eles formavam a chapa de oposição nas eleições do sindicato e paralisaram terminais de ônibus na capital. As principais demandas eram o reajuste salarial de 22% e a participação nos lucros de R$ 1,5 mil. Na segunda, cerca de 4 mil trabalhadores aprovaram em assembleia na sede do sindicato, na Liberdade, reajuste de 10% e participação de R$ 850.

Noventa afirmou que o movimento desta terça foi "desordeiro". A Santa Brígida é conhecida entre os funcionários das empresas por não aderir às manifestações e não comparecer às assembleias do sindicato. "Eles (os trabalhadores) estão falando que é um movimento deles, mas nós sabemos que não. Principalmente porque a Santa Brígida nunca teve coragem de fazer nada", afirmou o presidente do Sindmotoristas.

Mais do mesmo. Os motoristas e cobradores que aderiram à paralisação acusam o atual sindicato de não ouvir os trabalhadores e fazer acordos "favoráveis" aos empresários. "O motivo da paralisação é o nosso salário, que está totalmente defasado. Nossa briga é pelo reajuste de 10% que nos deram, e o prometido era de 22%", afirmou Marcos Firmino, de 38 anos, motorista da Santa Brígida, um dos líderes do grupo.

"No ano passado, recebemos R$ 800 de participação nos lucros. Quando o Noventa pediu nossos votos, ele prometeu que o valor era outro (R$ 1,5 mil)", afirmou Adilton Silva Conceição, de 46 anos, funcionário de outra empresa de ônibus.

Ele admitiu que foram os funcionários da Santa Brígida que o obrigaram a parar o veículo ontem. "Sabemos da assembleia de ontem, mas só nos comunicaram o resultado hoje de manhã", afirmou Conceição.

Já um motorista da Santa Brígida, que não quis ser identificado, afirmou que a paralisação foi uma forma de "desmoralizar" o ex-presidente e atual secretário de Finanças da entidade. "Eles prometeram muito no ano passado. O Edivaldo, por ser da casa, deveria saber que a classe ficaria revoltada. A diferença da ex-gestão para atual foi só a mudança da foto", afirmou o motorista.

"Basta dar a César o que é de César. Eles que deem aos porcos os 10% que conseguiram fazendo a vontade dos empresários de ônibus", disse outro motorista da Santa Brígida, que se identificou para a reportagem apenas como Borges.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.