Greve fecha postos diplomáticos do Brasil em 70 cidades

Consulado em Nova York não deve abrir as portas hoje; Ministério do Planejamento ainda nem marcou negociação

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h05

Já são 70 os postos consulares no exterior fechados por causa da greve dos funcionários do Itamaraty, incluindo alguns dos mais movimentados do mundo, como Boston, São Francisco e Houston, nos Estados Unidos, Madri, Roma e Paris, na Europa, Pequim e Cingapura, na Ásia. Hoje, o Consulado de Nova York não abrirá e funcionários dos consulados em outras cidades americanas farão um dia de paralisação para protestar por melhores condições de trabalho.

O número de postos parados não chega à metade das representações do Brasil no exterior, mas atinge a maioria dos oficiais e assistentes de chancelaria e quase todo o atendimento consular do Brasil. Apesar da grande quantidade de postos, a maioria é composta por apenas um ou dois diplomatas e alguns funcionários locais. É o caso da maioria das novas representações na África.

Sem os funcionários locais, é praticamente impossível um consulado abrir. Na representação em Nova York, por exemplo, há seis diplomatas, sete oficiais de chancelaria e cerca de 60 contratados locais. Eles realizam uma série de funções, que vão da limpeza a atividades de escritório. Em alguns países com idiomas difíceis, em África e Ásia, são considerados fundamentais, porque nem todos os diplomatas se mostram fluentes.

Na sede do Ministério das Relações Exteriores em Brasília, cerca de 250 funcionários estão sem trabalhar. Só os cerca de 300 oficiais e assistentes de chancelaria que participam da Conferência Rio+20 continuam em suas funções, mas devem parar a partir na próxima semana.

Até agora, o Ministério do Planejamento nem marcou uma reunião com os servidores grevistas. Ontem, o SindItamaraty, que representa diplomatas, oficiais e assistentes de chancelaria, reuniu-se com a Secretaria-Geral do Ministério das Relações Exteriores, que se propôs a manter aberta uma mesa de negociações. O Ministério do Planejamento, no entanto, só concordou até agora em negociar a transformação dos pagamentos em subsídio. Servidores defendem equiparação de carreiras e reajuste salarial.

Fora do Brasil. Com a greve da chancelaria, o Consulado em Nova York já havia operado ontem em esquema de emergência, sem emitir documentos. Alguns funcionários locais relataram ao Estado pressões diplomáticas. O cônsul-geral de Miami, embaixador Helio Victor Ramos, por exemplo, teria ameaçado de demissão quem aderisse à greve. Por e-mail, o consulado na Flórida disse "desconhecer a origem desse boato". / COLABORARAM GUSTAVO CHACRA e ARIEL PALÁCIOS

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