Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Greve em Cumbica atrasa entrega de malas em até 3h

Empresa que presta serviço para companhias aéreas protestava contra mudança na jornada de trabalho de 6 para 8 horas diárias; greve acabou à noite

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2014 | 17h36

Atualizada às 23h

SÃO PAULO - A greve dos funcionários da Swissport, empresa responsável por transportar malas de aviões até as esteiras nas salas de desembarque, afetou nesta quarta-feira, 7, as operações do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Passageiros esperaram até 3 horas para retirar bagagens e, até as 23h, 73 voos do Gol atrasaram. A concessionária GRU Airport não informou o índice de decolagens e pousos fora do horário.

A paralisação começou a 0h de quarta e foi encerrada, de acordo com o Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindgru), por volta das 19h. Os funcionários da Swissport cruzaram os braços contra a proposta de uma nova jornada de trabalho, que passaria de 6 para 8 horas diárias. Nesta quinta-feira, será realizada uma reunião de acordo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para tratar do impasse.

O desembarque internacional no Terminal 2 foi um dos mais afetados pela falta de funcionários para retirar bagagens e colocá-las nas esteiras. O motorista de uma locadora Edinei Rodrigues, de 39 anos, aguardava turistas que vinham de Lima e haviam pousado às 15h30. Às 18h30, eles ainda não tinham saído da área de desembarque. "Geralmente aguardo, no máximo, 40 minutos. Hoje, estou aqui há três horas e o painel informa que o avião já pousou", reclamou.

O aposentado português Sérgio Gelanga, de 63 anos, disse que esperava a mulher, que vinha de Lisboa, desde as 16h25. "Tentei falar com o supervisor da TAP, mas disseram que o problema não era deles", afirmou Gelanga. Ele também se queixou pelo fato de o voo ter desaparecido do painel de informações. Até as 19h, o aposentado não havia encontrado a mulher.

O casal Marco Antônio Pereira Cardoso, de 60 anos, e Regina Cardoso, de 56, chegou de Montevidéu às 16h30, mas só as 18h30 conseguiram deixar a área de desembarque. "O voo atrasou apenas 15 minutos no Uruguai, mas demoramos para sair do avião aqui e esperamos mais de uma hora pelas malas", reclamou Regina. Eles tiveram de correr para não perder uma conexão.

Reivindicação. O Sindgru informou que 1,2 mil funcionários da Swissport participaram da greve e, segundo a empresa, cerca de 40% dos trabalhadores mantiveram as atividades. A Swissport é uma empresa terceirizada e presta serviços para companhias aéreas, como a Gol. A TAM, por sua vez, tem funcionários próprios para realizar o serviço.

A Gol foi umas das empresas mais afetadas com a greve. A empresa informou que teve de reforçar o número de colaboradores próprios por turno para dar fluxo a retirada de bagagens das aeronaves. Na área de desembarque doméstico, era possível ver vários funcionários com o uniforme da Gol colocando malas nas esteiras.

A GRU Airport, em nota, informou que manteve contato com as companhias para "auxiliar no plano de ação e minimizar os impactos na restituição de bagagens", sem dar detalhes sobreas medidas adotadas.

Disputa. O presidente do Sindgru, Orisson Mello, disse que, após quatro horas de negociação, houve um acordo com a Swissport para suspender a paralisação, mas até as 21h havia reflexos nas operações do aeroporto. "A empresa voltou atrás e vai manter as 6 horas por dia", afirmou. A Swissport, no entanto, informou que as decisões sobre o impasse trabalhista serão tomadas na audiência no TRT.

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