Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Greve dos garis ganha adesão de merendeiros no Rio

Tropa de Choque, guardas-civis e vigilantes fizeram escolta de trabalhadores não grevistas nessa quinta-feira, 6; paralisação pode afetar aulas

Marcelo Gomes / RIO, O Estado de S.Paulo

07 Março 2014 | 02h05

Equipes da Tropa de Choque da Polícia Militar, de guardas municipais e de uma empresa de segurança privada escoltaram na madrugada dessa quinta-feira, 6, garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) que não aderiram à greve da categoria no Rio. Eles trabalharam na limpeza das principais ruas do centro e da zona sul. A paralisação foi deflagrada no sábado, durante o carnaval, e a partir de segunda-feira poderá afetar as aulas na rede municipal.

A escolta foi feita a pedido da prefeitura, após o surgimento de várias denúncias de ameaças e agressões. A sujeira se espalha pela cidade. Além disso, a greve dos garis ganhou a adesão de agentes de preparação de alimentos, conhecidos como APAs. Eles também são funcionários da Comlurb.

Na manhã de ontem, cerca de 400 funcionários da Comlurb, entre garis e APAs, participaram de assembleia na frente da sede da empresa, na Tijuca, zona norte, e decidiram manter a greve. "Somos nós, APAs, quem preparamos a merenda dos alunos. Sem merenda, não tem aula", disse ao Estado Leonardo Mendes, de 28 anos, um dos agentes de preparo de alimentos em greve.

A rede municipal tem cerca de 1.500 escolas e creches e atende em torno de 675 mil alunos. A Secretaria Municipal de Educação não se manifestou até as 19h sobre a ameaça às aulas. A Comlurb informou que ainda não tem como calcular quantos APAs aderiram à greve porque eles estão de férias e só voltarão ao trabalho na segunda-feira.

Patrulha. Por volta das 10h, uma viatura do Batalhão de Choque, com quatro PMs fortemente armados, fazia a segurança de 20 garis que retiravam as montanhas de lixo acumuladas na Avenida Presidente Vargas, nas proximidades do sambódromo. "Vamos precisar de cinco dias para deixar tudo normal", contou um gari que não quis se identificar.

No mesmo horário, mas em outro ponto do centro, na Rua Frei Caneca, guardas municipais desarmados faziam a segurança de garis. Pouco antes, por volta das 8h30, uma equipe de garis era escoltada na Lapa por seguranças de uma empresa privada, também armados.

Protesto. Após a assembleia na Comlurb, os garis saíram em passeata até a sede da prefeitura, na Cidade Nova. Depois, andaram por toda a Avenida Presidente Vargas até a Avenida Rio Branco. Eles reivindicam melhores condições de trabalho e salários. Os garis foram acompanhados por PMs do Batalhão de Policiamento de Grandes Eventos. Não houve confusão.

Os garis negaram a participação de partidos na greve. O protesto teve o apoio de um carro de som com adesivo do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal Fluminense (Sintuff). Estavam presentes Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ, e o ex-deputado federal Babá, fundador do PSOL.

Um dos líderes da paralisação, o gari Célio Viana admitiu que é filiado ao PR (partido do deputado federal Anthony Garotinho, adversário político do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral). Em 2012, ele concorreu a vereador, mas não se elegeu. O caso foi noticiado ontem pelo jornal Extra. "O movimento não tem nada a ver com eleição. Tem a ver com luta por melhorias salariais da categoria. E quem paga nosso salário é a Comlurb, não é partido político", disse. Em seu blog na internet, Garotinho negou envolvimento com a greve.

Conhecido por suas danças irreverentes na Marquês de Sapucaí durante os desfiles das escolas de samba, Renato Lourenço, conhecido como Sorriso, apoia a greve. "A partir de hoje (ontem), me juntei ao movimento. Não sou gari só para sambar. Apoio meus colegas", disse Sorriso, há 18 anos na Comlurb.

O piso salarial dos garis é de R$ 874,79 - R$ 1.224,70, com adicional de insalubridade. Acordo fechado entre dissidentes e Comlurb garante mais 1,68% dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, com progressão horizontal. Os grevistas reivindicam salário-base de R$ 1,2 mil, que pode chegar a R$ 1.680, com o adicional. A categoria tem 15 mil trabalhadores.

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