Ricardo Trombini
Ricardo Trombini

Greve dos agentes penitenciários de SP continua por tempo indeterminado

Falta de acordo em relação ao aumento de salário e redução de classes determinaram prosseguimento da paralisação

Chico Siqueira, Especial para o Estado

11 Março 2014 | 23h14

ARAÇATUBA - A greve dos agentes penitenciários de São Paulo continua por tempo indeterminado. A decisão foi tomada na noite desta terça-feira, 11, após a realização de 14 assembleias regionais pelo Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp).

Apenas em quatro assembleias, em Assis, Marília, Baixada Santista e Taubaté, os agentes decidiram aceitar as propostas do Governo do Estado, apresentadas pela manhã, em reunião de negociação com o comando do movimento.

O governo concordou com redução de apenas uma das oito classes na carreira -os agentes queriam a redução de duas-, com o pagamento do bico legalizado de R$ 160,00 para quem trabalhar em dia de folga e de estudar, em 30 dias, o pagamento de um bônus de assiduidade, semelhante ao pago à Polícia Militar. A correção salarial de 20,64% e aumento real de 5%, reivindicados pelos agentes, não foram aceitos, mas o governo, sob pressão dos sindicalistas, aceitou montar uma comissão para estudar a correção em 60 dias.

"Os agentes esperavam pelo menos as duas reduções de classes e alguma coisa de correção salarial, além do pagamento do bônus. Isso foi decisivo para que decidissem pela continuidade do movimento", disse o presidente do Sindasp, Daniel Grandolfo. O sindicalista esperava comunicar as autoridades do governo ainda nesta terça-feira, 11.

Temor. Grandolfo e outros dois dirigentes do sindicato, ouvidos pela reportagem, disseram que a decisão torna a greve "mais delicada" daqui para frente, principalmente por conta de possíveis obstruções da Justiça e elevação do nível do estresse dos agentes. Mas a preocupação maior é com o fim de semana, para quando estão marcadas as visitas aos detentos, mas que, inicialmente, não serão permitidas pelos agentes das unidades em greve. "Este é um problema delicado, porque também aumenta o nível de estresse entre os detentos", explicou Grandolfo.

De acordo com os sindicalistas, a greve continuará como teve início, com os serviços de transferência de detentos, atendimento de advogados e de oficiais de Justiça paralisados. Também continuam suspensos os trabalhos dos detentos. "Continuaremos só mantendo as atividades essenciais de atendimento de saúde, de alimentação e de banho de sol dos presos", disse o diretor de comunicação do Sindasp, Ismael Manoel dos Santos.

No segundo dia de paralisação, o movimento ganhou força, aumentando a adesão de 80 para 88 unidades, segundo o sindicato. Mas também foram registrados os principais tumultos com agentes tentando evitar a saída e entrada de detentos nas unidades em greve. Em Martinópolis, a Polícia Militar precisou intervir para evitar confrontos entre agentes; em Presidente Prudente, Dracena e CDP de Pinheiros também foram registrados incidentes. "A tendência é que daqui para frente, esses tumultos ocorram mais vezes", afirmou Grandolfo.

 

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