Greve do Metrô deve prejudicar 3 milhões de usuários em SP

Metroviários não aceitaram proposta da empresa para pagar abono; às 16 horas realizam uma nova assembléia

Daniel Gonzales, do JT,

02 de agosto de 2007 | 01h38

 Os metroviários de São Paulo decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a partir da zero hora desta quinta-feira, 2. Três milhões de pessoas devem ficar sem o Metrô, e as estações devem amanhecer de portas fechadas.   Veja também: CET suspende rodízio em SP nesta quinta-feira Alternativas para o transporte Linhas de ônibus operam com Plano de Emergência   A decisão pela greve foi tomada na noite de quarta-feira, 1º, em assembléia no Sindicato dos Metroviários, por conta de divergências entre a proposta da companhia e a reivindicação da categoria sobre o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos funcionários, referente ao período de janeiro a dezembro de 2007.   Durante a tarde de quarta, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que o Metrô operasse nesta quinta-feira com 85% de sua capacidade nos horários de pico e de 60% nos demais horários. O presidente do sindicato, Flávio Godói, afirmou que a categoria concordaria com tal determinação, desde que o Metrô abrisse as catracas para a livre entrada dos usuários. "Estamos pensando na população", disse Godói.   À noite, o Metrô se disse pronto a cumprir com a operação de 85% da frota, mas informou que a abertura livre das catracas não será possível por questões legais e de segurança. "Eles (Metrô) alegam evasão de receita, mas se tivessem interesse político liberariam as catracas", afirmou o presidente do sindicato.   Segundo Godói, está prevista a realização de uma assembléia da categoria, às 16 horas, para uma avaliação do movimento e decisão pela continuidade ou fim da greve.   Contraproposta   Na terça-feira, os metroviários já tinham decidido pela greve. Os funcionários só adiaram a paralisação por 24 horas para esperar por uma contraproposta do Metrô. Ela veio à tarde, mas foi rejeitada: a companhia propôs o pagamento de R$ 800 a título de abono e o restante da PLR de maneira proporcional ao salário de cada funcionário, totalizando uma folha inteira de pagamentos. "Dessa maneira, esse pagamento favoreceria os maiores salários e os altos cargos, pois quem ganha mais receberia mais", afirmou o presidente do sindicato.   Os funcionários propõem uma participação nos resultados equivalente a uma folha e meia de pagamento, mas dividida igualmente entre os 7,5 mil metroviários. Além disso, pleiteiam o pagamento de R$ 1,8 mil a título de adiantamento em julho. O Metrô ofereceu R$ 800 para ser pago em 1º de setembro. "O Metrô negocia até o limite de sua capacidade e consome 67% da arrecadação com a folha de pagamento", dizia nota enviada pela Assessoria de Imprensa da empresa.   O TRT determinou multa diária de R$ 100 mil ao sindicato, caso não sejam cumpridos os 85% de funcionamento. A arrecadação da multa seria revertida a favor do Hospital São Paulo, Hospital das Clínicas e Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O não-cumprimento da decisão judicial também acarreta em responsabilização civil e penal, caso a circulação de trens não ocorra nos níveis mínimos exigidos.   (Colaborou Alexandra Penhalver)

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