Greve de policiais civis atrapalha rotina em presídio do interior

Familiares não foram atendidos em Caçapava; em outras cidades, apenas casos de emergência eram realizados

Simone Menocchi e Rose Mary de Souza, O Estado de S.paulo

16 de setembro de 2008 | 17h39

Na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, a greve da Polícia Civil cancelou o atendimento às famílias de presas da cadeia feminina de Caçapava. Os parentes são obrigados a entregar o material de higiene pessoal e alimentos um dia antes da visita, marcada para toda quarta-feira. Mas na manhã desta terça-feira, 16, os familiares foram surpreendidos pela ausência de carcereiros para receber o chamado jumbo.  Veja também:Greve já atinge 10% das delegacias da capital, afirma sindicato Sacolas e mais sacolas ficaram nas calçadas e os parentes esperaram por mais de três horas. "Fomos pego de surpresa, ninguém avisou nada e estamos aqui esperando. A gente entende que eles queiram aumento, mas nós não temos nada a ver com isso", disse a doméstica Adriana Sobrinho, que visitava a irmã detida na cadeia. O aposentado Mário Alves do Amaral, que tirou a manhã para levar mantimentos e produtos de higiene para a filha estava revoltado. "Isso é uma humilhação pra gente que tem que viajar pra chegar aqui e ficar esperando tanto tempo". A cadeia feminina de Caçapava tem atualmente 139 mulheres, mas a capacidade é para 60 presas. Não há previsão se as visitas vão acontecer nesta quarta-feira. Na mesma região, estão em greve os policiais de São Jose dos Campos, Taubaté, Jacareí e Caçapava, onde apenas os serviços de emergência estão sendo realizados. Em Jacareí, por exemplo, são quase duzentos servidores, entre delegados, investigadores e escrivãs de polícia. Pela manhã, os funcionários usaram nariz de palhaço e saíram às ruas em um apitaço.  Há uma semana os policiais começaram as manifestações exigindo do governo do Estado melhores salários e condições de trabalho. O sindicato diz que a categoria está sem reajuste há doze anos e as perdas nos rendimentos chegam a 60%. Ontem houve nova tentativa de negociação, mas o aumento 7% proposto até agora, não foi aceito pelos policiais.  Campinas A Polícia Civil em Campinas aderiu a greve da categoria a partir das primeiras horas desta manhã. Os distritos policiais que operam 24 horas amanheceram com faixas informando que a paralisação é por tempo indeterminado. Nas unidades que abrirem as 9 horas apesar das portas abertas, viaturas estacionadas nos pátios a orientação era o de não ligar os computadores.  A orientação seguida pela categoria e que seria acatada em todo o Estado de São Paulo é o de apenas registrar ocorrências de urgências como latrocínio, flagrantes e crime hediondo. Cópia de uma carta aberta expondo a razão da greve foi entregue a populares em frente aos distritos. Outra orientação é que boletins de ocorrência podem ser efetuados via internet pelo site da Secretaria de Segurança Pública.  De acordo com o presidente do Sindicato da Polícia Civil de Campinas, Aparecido Lima Carvalho, os policiais vem discutindo desde o mes de março porém sem nenhuma definição do Governo Estadual. Os policiais adotaram o artigo 6º do Código Civil que prevê a analise pelo delegado de todas as ocorrências registradas. "O efetivo está parado", disse.  A Associação de Familiares e Amigos de Policiais do Estado de São Paulo informou que se não houver uma decisão favorável de reajuste salarial, a intenção é parar os quartéis e batalhões da Policia Militar depois das eleições em outubro.  Atualizado às 18h33 para acréscimo de informações

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