Greve de ônibus prejudica 275 mil em 11 cidades de São Paulo

À tarde, motoristas e cobradores de ônibus de Diadema e São Bernardo do Campo aceitaram proposta e encerraram paralisação

Fabiana Cambricoli, Laura Maia de Castro e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2014 | 11h23

Atualizado às 22h10

SÃO PAULO - Pelo menos 275 mil passageiros de 11 cidades foram afetados nesta sexta-feira, 23, em mais um dia de greve de motoristas e cobradores de ônibus da Região Metropolitana de São Paulo. À tarde, a paralisação foi encerrada em Diadema e São Bernardo do Campo.

A paralisação foi total na Viação Osasco, que atua em nove cidades da região, e parcial nas empresas Urubupungá, que atende Osasco e Barueri, e MobiBrasil, que opera em Diadema e São Bernardo.

Como as empresas afetadas também são responsáveis por linhas intermunicipais, 11 cidades foram prejudicadas pela paralisação, de acordo com a Empresa Metropolitana de Transporte Urbano (EMTU).

Motoristas e cobradores da MobiBrasil voltaram a circular à tarde após acordo com a empresa. Segundo o Sindicato dos Rodoviários de São Paulo, foi definido que negociações de reajuste salarial terão sequência, mas sem paralisação do serviço.

Segundo Nailton Francisco de Souza, do departamento de Comunicação do sindicato, a reivindicação é para que haja uma equiparação do salário ao dos rodoviários de São Paulo ou que, pelo menos, o porcentual de reajuste seja o mesmo que o concedido na capital.

Colaborou para a retomada da circulação dos ônibus a decisão liminar da Justiça do Trabalho que obrigou que os grevistas a desobstruir os portões da garagem da empresa, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Além disso, outra decisão judicial, divulgada à noite, determinou que a empresa garanta circulação de 75% da frota durante os horários de pico e de 50% no resto do dia.

Osasco. Também no período da tarde, a Urubupungá, que operava com 60% da frota durante a manhã, iniciou a normalização da circulação de ônibus.

Na Viação Osasco, porém, o impasse continuava à noite. Dos 177 ônibus que atendem a cidade, só 30 estavam em circulação. Às 20h, representantes da empresa e da categoria se reuniam na sede da Superintendência do Ministério do Trabalho de São Paulo para tentar chegar a um acordo.

De acordo com Francisco Aderbal Silva, secretário adjunto do sindicato, os motoristas e cobradores propuseram pela manhã que a empresa atendesse a três reivindicações imediatamente e continuasse a discutir o reajuste salarial sem paralisação. "Pedimos intervalo de almoço remunerado e pagamento dos dias de licença médica e dos dias de paralisação", diz ele.

A empresa não se posicionou e aceitou reestabelecer o diálogo no Ministério do Trabalho. Nenhum representante da Viação Osasco quis conversar com a reportagem nesta sexta.

Durante todo o dia, o cenário era o mesmo nos terminais e pontos de ônibus da cidade: passageiros esperavam horas por um coletivo. Muitos fizeram trajetos longos a pé ou utilizaram táxis ou vans clandestinas.

Operada de um câncer de mama há três meses, a dona de casa Ana Aparecida Matos, de 80 anos, e o marido, José Francisco Matos, de 81, tiveram de andar seis quilômetros para chegar a uma consulta no Hospital das Clínicas, zona oeste de São Paulo, e depois voltar para casa.

Na ida, depois de não conseguirem ônibus, caminharam três quilômetros de casa até a estação de trem Osasco da CPTM e depois utilizaram o metrô. "No caminho de casa até a estação, ele estava tão preocupado com o horário da minha consulta que levou um tombo na rua", afirma Ana sobre o marido, que, na queda, machucou o rosto e uma das mãos.

No retorno, voltaram para o terminal de Osasco e novamente tiveram de caminhar outros três quilômetros.

O peixeiro Osmo Vieira Melo, de 50 anos, tentava voltar para casa após três dias dormindo na empresa. "Trabalho na Ceagesp e não conseguia voltar para casa desde terça-feira, por causa da greve em São Paulo. Hoje, consegui pegar ônibus lá, mas fiquei sem transporte aqui em Osasco", contou.

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